Cada vez eu tenho menos tempo pra perder

Desde o japa idiota cantando do meu lado no metrô até a minha chegada em casa, esta noite foi muito boa. Cheguei no SMF4 umas Três e meia da tarde, e só fui a essa hora pra ver o Scudeller, por que o meu interesse começava pelo Rancore.

Sobre o show do Scudeller, não vi muita novidade, o mesmo cover de 'In The End', o mesmo e maravilhoso solo do baterista (que eu nunca sei o nome), o mesmo guitarrista machão bombado se achando, e o Lucas com seus cabelos lindos e estilosos, como sempre. Fazendo um compensado, o show em si foi ótimo (podia ter sido melhor), dou nota seis, merecido.

Depois do Scudeller, tocaram mais umas bandas que eu não me animaram tanto, exceto na hora que o Skore fez um lindo cover de 'The Pretender' do Foo Fighters, o que realmente me deixou animada. Tocou o NoCore também, mas uma merda como sempre. E sinceramente, eu estava tão ansiosa pra ver o Rancore logo, que nem prestei atenção direito nestes shows. Ah! Teve uma banda, acho que é NOHAU, que eu até achei legal, apesar de nunca ter escutado. Parece ForFun no início da carreira, sei lá. É meio Scracho também, mas enfim, eu gostei.

VAMOS FALAR DA PARTE BOA AGORA.

E eis que às sete e quinze veio o Rancore no palco, para finalmente deixar-me alegre. Depois de toda a minha impaciência de ficar escutando a Marcela gritando 'What The Hell', o Teco começou a salvar minha noite. De início veio 'Escravo Espiritual', que teve uma vibe muito louca, o pessoal da pista comum dando mosh na pista premium, muito louco. Não lembro direito a ordem, mas o set-list foi exatamente este:
Escravo Espiritual
Transa
Mãe
Samba
Planto
Quarto Escuro
Liberta
Respeito É a Lei
Apesar de o show ter sido maravilhoso, de a vibe ter me curado de muita coisa, eu fiquei muito fula da vida porque eles não tocaram as seguintes músicas: Jeito Livre, Bem Aqui, Seleção Natural (que seria muito foda ao vivo), Inocentes, e principalmente Mulher. Se eles tivessem tocado Mulher eu teria sido ainda mais feliz, mas beleza, foi bom do mesmo jeito. Podia ao menos ter 5:20 pra eu ter escutado o Caggegi cantar ao vivo, mas beleza. Quando tiver um outro show eu vou, podem deixar.

Quarter, além da banda já ser ruim por natureza, eles entraram no palco ao som de um coro de "QUARTER, VAI TOMAR NO CU. QUARTER, VAI TOMAR NO CU" Isso foi lógico, todos estavam ali querendo ver o Gloria, foi meio que um absurdo colocarem eles pra tocar naquela hora, mas né, vamos relevar. Aliás, não vamos relevar coisa nenhuma, porque eles responderam o público com: vão tomar no cu todos vocês. Isso não pode né, Quarter! Juro que se eu estivesse perto daquele palco, tinha atacado a minha garrafa d'água nas bolas daquele vocalista. A sorte dele é que eu estava colada no palco paralelo, porque senão..

Vamos a melhor parte: o Gloria, depois de dois anos, cinco meses e quinze dias sem um show deles, eu finalmente matei a saudade que estava entranhada na minha garganta, mas mesmo assim não consegui sair rouca daquele lugar.. A minha ansiedade aumentou na hora que vi o Eloy perambulando pelo palco pra fazer os ajustes na batera dele, e indo e vim toda hora, mas até que no backstage surge então, nosso amigo João, haha aí a coisa ficou boa meus queridos! Eu vi, ao vivo e a cores, o melhor grito de guerra de todos os tempos, e o fiz junto com eles, mesmo que eles não percebessem. Foi bem emocionante, eu diria. Mas emocionante mesmo foi ver a satisfação do Johnny ao ver toda aquela gente (acho que umas quatro mil pessoas) ali só pra ver o Gloria tocar, e cantar junto com eles. Ele dava umas batidas no peito, de tipo, EU CONSEGUI! E por diversas vezes eu vi ele gritando POOOORRA!, e era um porra feliz, digamos assim. Foi lindo ver isso, sério mesmo. E o Mi, com aquela camiseta do Avenged Sevenfold me seduzindo, sendo mais um que não conseguia conter a satisfação, e deixava a galera cantar por ele. Algo meio inexplicável, mas eu pude ver o brilho nos olhos desses dois, e mesmo que eu só fosse uma fã ali, eu me senti realizada junto com eles. No início o Peres tava meio mal porque a guitarra dele não tava funcionando, mas quando tudo voltou ao normal, o Gloria mostrou todo o potencial que tem. E foi o show mais pirado que já fui. Pra falar bem a verdade, eu nem prestei atenção no Elliot, eu sabia que ele estava lá, mas não via o porque de ficar olhando pra ele. Eu estava grudada no palco, se quisesse tinha tocado baixo junto com o Jonis, pra vocês terem uma ideia da minha proximidade, eu arranquei um pêlo do joelho do Johnny pelo buraco da calça dele! Isso é um absurdo! kkk E eu tenho quase certeza que ele nem sentiu a dor naquele momento (eu sei que sou besta, mas não sairia feliz dali se não tivesse feito isso). Consegui sentir cada detalhe daquela apresentação, limpar o suor do Mi que caía na minha testa, gritar junto com eles, sentir as batidas do bumbo da batera como se fossem as batidas do meu coração.
E falando em bateria, só vou fazer um comentário sobre a troca: foi bom. Não posso dizer que foi a melhor coisa que o Gloria fez na carreira, mas também não vou desmerecer o Eloy. O cara manda muito bem, tem ótimo comando com os pedais, mas o Fil é um cara excepcional, que deu todo o sangue pela banda, tem técnica, sempre foi e é atencioso com os fãs, e tudo mais. Então, não vou comparar o Gloria pré e pós Eloy, mas continuo seguindo a carreira do Felipe, e desejo tudo de bom pra ele, porque ele merece. E muito.
Continuando com o dito cujo show, vou falar pra vocês que eu quase fui embora muito triste por não ter conseguido pegar ao menos uma palheta. Mas eis que o tão despercebido Elliot manda um papel, e quase que automaticamente eu o agarro, com todas as minhas forças. Consegui pegar um pedaço do set-list da banda, e gostaria de conhecer o 'amigo' que pegou a parte debaixo daquele papel grudado com uma fita amarela. E o set é mais ou menos este:
Vai Pagar Caro Por Me Conhecer
Agora É Minha Vez
Inimigo do Tempo
É Tudo Meu
Anemia
Tudo Outra Vez
Solo Eloy
Onde Estiver (nessa hora lembrei muito da Talita)
(depois disso tem a parte rasgada do papel, mas suponho que vieram:)
Grito
Asas Fracas
Minha Paz
Anemia
Eu não me lembro exatamente bem das músicas que vieram depois de Onde Estiver, mas sei que a última foi Minha Paz.
Bem, o show foi maravilhosamente bem, muito melhor do que eu esperei. Não tive nenhuma decepção quanto ao set, então, cara, estou até sem palavras.

Fresno. Assim como o Scudeller, nenhuma novidade. Show paulera, várias roda punk, mas muito neguinho chorando, se esgoelando. Nada de diferente dos outros show. E pra dizer a realidade, eu queria mesmo ver o Gloria e o Rancore, a Fresno foi lucro. Mas mesmo assim, não teve como segurar a emoção na vez de "Porto Alegre". Fui embora antes do show acabar pra poder pegar o metrô e fiquei sabendo que logo depois que saí eles tocaram Cada Poça Dessa Rua Tem Um Pouco De Minhas Lágrimas. Fiquei totalmente em choque, já que eu sou louca por essa música e nunca tinha visto ela ao vivo. Me odiei.

No total, esta noite foi maravilhosa, em tudo. Não vou dar mais detalhes amigos, isto não vem ao caso pra vocês. Só os mais íntimos sabem. Sampa Music Festival 4, HISTÓRICO.

Até a Próxima.




Filhos da China.

O uso indiscriminado de armamentos e munições sempre foi alvo de discussões, mas nunca fizeram algo efetivo e que desse resultado. E então a população se viu 'viciada' na pólvora, e com ela sentiu-se mais segura. As casas têm espingardas penduradas nas paredes da sala de estar, como se elas fossem um troféu a ser exposto com orgulho.

A pólvora, sem dúvidas, foi uma grande descoberta para a humanidade, que viu no temível aviso dos alquimistas um aliado na luta das forças de governos distintos. E como só a tida da explosão não era satisfatória, perduraram para melhorar seu arsenal, e eis que surgem as pistolas, tão inofensivas, juntamente com seu amigo 'de guerra', o canhão. Está iniciado o início de uma nova Era, onde quem mata é o homem, e não mais os animais ou as pragas. Se já havia força suficiente para triunfar sobre um grupo de pessoas, com as armas ficou tudo mais rápido: é só ter boa mira e apertar o gatilho.

Está feito o massacre, e não há mais volta. Os inocentes, pobres (e quiçá ricos) coitados vindos para penar numa vida indigna, neste instante estão enterrados sob os seus pés, os meus pés. Infelizes eles, que não puderam fugir das tropas armadas que invadiram sua cidade e só levaram dor e pesar. Infelizes as crianças, os meninos, as mulheres fecundadas, os avós esperançosos, que quando esperavam por um fim natural, foram atravessados por um grão de feijão assassino vindo em chamas de uma zarabatana. Se foram vidas, se foram almas. O que dizer das guerras 'fazedoras de justiça', dos conflitos armados de vingança versus interesse, da diversão do dito ser racional em ver sangue? Está explícito o interesse em matar, mas nem todos percebem que estão se auto flagelando e que a associação com o mundo paralelo armado só causa a desgraça, pessoal e coletiva.

Num inimaginável dia, quando a pólvora, a arma, o fogo, e o homem se extinguirem, finalmente teremos paz. E o fato de nós existirmos, e termos sentimentos controversos a todo o momento faz com que não saibamos como reagir eticamente a dada situação. E vem a luta, a guerra, e por fim a morte.

Para o início do recomeço desarmado, é necessário que as forças aliadas ao bem façam valer o sentimento de lutar, e combater o desagradável. A magnânima educação tem que estar em primeiro plano, e então formar seres que raciocinem para, e não contra si. Incentivar e mostrar a todos que a vida pode ser linda, apesar das divergências e do descontrole. O mundo como um todo necessita de mais aprendizado e mais inteligência. Precisa ter a consciência de saber largar a adaga quando a batalha estiver perdida, vencendo a guerra de maneira honrada e digna.

E nenhuma segunda emenda vai mudar o que eu penso.


TUDO ISTO COMEÇOU COM UMA REDAÇÃO DA AULA DE PORTUGUÊS, ADVINDA DO DOCUMENTÁRIO 'TIROS EM COLUMBINE'.