Além dos olhos, perto da razão.

Já fazia tempo que não passava por aqui, mas isso realmente não faz diferença. As minhas crises existenciais e todo o resto são desabafados aqui e ter sumido não significa que eu não as tive. Aliás, eu estive num tempo de extremas dúvidas, mas não pude, infelizmente, compartilhar as minhas angústias com vocês. Esse fato não me faz pensar que eu esteja esquecendo de tudo, mas o que me falta ultimamente é tempo pra esse submundo virtual. Deixando de lado as desculpas, venho ao que me importa, e o que me faz até hoje manter toda essa odisseia ainda pronta pra me atender.

Há quase um mês eu estava em dúvidas sobre assuntos tanto quanto importantes na minha vida, como por exemplo o trabalho, a carreira e os cursos. Passei por tudo isso "numa boa", e enfim tive meu sossego psicológico. Mas como tudo dura pouco, atracou sobre mim o navio da solidão. E eis que lá vou eu pro abismo novamente. Odeio admitir coisas, não gosto de expor e aceitar todas as verdades, mesmo sendo elas absolutas e universais, mas venho por meio desta comunica-los sobre as minhas verdades, e mostrar sem pudor o que está dentro de mim.

Eu nunca fui de pensar sobre futuro, e tampouco de cogitar em apegar-me às pessoas, só que percebi que venho mudando. Depois de uma série de mudanças externas, vieram as internas. Eu mudei o cabelo (ficou uma cor muito estranha a meu ver, mas alguns dizem que está legal, meio estiloso), agora ando por aí de salto alto, quando quero parecer séria meto um óculos de grau no rosto, parei de pintar as unhas de cores 'bonitinhas', estou trocando meu vocabulário, estendendo a mente. E após perceber que sou um ser frágil feito papel, agora sinto que meu coração está vazio.

Passo as noites procurando alguém pra preencher o vasto espaço que há em meu peito. Em todos os cantos vejo rostos e imagino como seria se eu estivesse ao lado dele. Quem vê minha situação perifericamente não imagina como estou me sentindo, já que sei disfarçar bem. Não é uma dor, eu não estou sofrendo, e nem devo. Não sei descrever ao certo tudo isso. Não tenho ninguém em mente, nenhuma paixão secreta. Não ando pensando no passado, não sinto mais nada daquilo. Estou bem nas amizades, aliás, muito bem. Assim, não há nenhuma razão aparente pra eu estar assim e eu sei que só existe uma explicação plausível pra minha mais nova crise: solidão.

Não sou psicanalista, não estudo teses de Freud, Focault ou Beck. Sou comum, assim como você. Tenho também um coração, e ele está à espera de uma razão, composta por carne, osso e sentimento, assim como eu.