Soul.

A chuva vem me dizer o que eu não quero ouvir.
"Limpe sua alma, renove seu espírito".
Tenho medos, receios infantis, receios de gente grande.
É incontrolável a minha forma de lidar com as coisas.
Não meço palavras, e também não sei lidar com as consequências que elas me trazem.
É chato, eu sei, mas a minha maneira de ver as coisas é do jeito mais real do mundo.
Não gosto de disfarces, não suporto mentira.
E ainda com tudo isso, eu minto, até pra mim mesma.
Sei como é a sensação de mentir para fugir dos medos.
Sei que a mentira não leva a nada, mas às vezes é inevitável.
Elas saem como um sopro de vento.
E diferente das minhas verdades, as minha mentiras são sóbrias, medidas milimetricamente.
Eu não entendo como posso ser assim. Mas sou.

Vegetando constantemente.

O tempo que não passa, as horas que não andam. 
Todo tempo é tempo demais, e eu preciso me decidir.
Não tenho coragem, isso é fato.
Preciso me criar pra poder criar algo mais.
Sou muito jovem pra talvez entender o amor.
Quer dizer, pode ser que eu já o tenha encontrado,
pode ser que nos encontremos novamente.
Quiça estará ele, o motivo de tudo isso, 
escondido nas estrelinhas dos meus devaneios. 
(leia bem, estrelinhas)
Não se sabe, não sei.
Incerto é o futuro, certo é o destino
e nele eu acredito.
E se estarei eu predestinada a viver devaneando 
quem irá questionar-me quanto a isso? 
Sabido é que nas estrelas tudo é mais belo
e é onde o amor, vivo ou irracional,
se esconde à procura de ar. 


Eu tenho medo de me entregar.

Ando confusa. Não sei como agir.
Não sei te olhar, nem sei se olho. 
Parece que às vezes eu sou um nada, 
outras parece que sou demais até.
Não sinto falta quando não te vejo,
mas quando vejo não quero largar.
Vai lá tentar entender certas coisas.
Talvez seja só carinho demais,
ou pode ser o início de um amor.
Pode ser só fogo,
pode ser um incêndio.
Eu realmente não sei,
você não me deixa decifrar-te.
Eu não sei me expressar quanto a isso.
Preciso de ajuda.
Minha ajuda é você. 

Qual é o meu problema?

Há tempos eu ando de uma maneira que não era antes.
Há tempos eu não sou quem queria ser, ou melhor, não me apresento de tal forma.
Há tempos minha mãe anda observando que eu estou criando uma casca, com a qual eu me separo do mundo.
Há tempos, tempos estes que não sei medir, venho abrindo os olhos para coisas que passavam desapercebidas num passado não tão distante.
Eu venho mudando, e não tenho certeza se é para melhor.
Nos últimos anos, conheci pessoas de mais, vivi coisa de menos.

Chega uma hora em que a convivência cansa de tal forma que tudo parece errado. É como um casamento: se não há amor, ele não dura.
Na convivência não precisa ter amor, mas precisa ter afinidade, coisa que não encontrei nas "pessoas de mais".
Gente de mais que se julga ser demais. Antropocentristas demais, pobres. Espírito é o que lhes falta. Espírito é o que me sobra.
Nesse tempo, acabei descobrindo as minhas facetas, os meus medos, reais. Facetas que não são expostas como troféus, todas elas estão escondidas no eu que só eu conheço, aliás, num eu que fico por conhecer eternamente. Me descubro a cada dia. E em cada dia tenho mais pena dos outros.

Outros que não desejo nada, apenas que vivam, que aprendam com seus erros. Não importa quem seja ou que erros sejam, só espero que a convivência forçada com tais pessoas não faça de mim alguém externamente complicado. Sou fácil, até demais. Sou sistemática, gosto de ver as coisas como elas realmente são.
Parei pra pensar, e então concluí que o problema não está em mim, mas o problema está neles.

É futilidade de mais, é gente de mais, é paz de menos.

Mater.

Eu tenho um medo. Meu medo é ser mãe.

Na verdade, não é medo de ser mãe como uma  profissão, um dom, meu medo é a gravidez. Tenho medo de gerar.
Tudo isso veio nesse instante já que me peguei assistindo aqueles programas do Discovery Home & Health que mostram a rotina das maternidades norte-americanas.
É uma mudança drástica na vida de qualquer mulher. Você carrega alguém dentro de você! É surreal.

E então, eu e os meus problemas hormonais, eu e os meus problemas uterinos, eu e os meus problemas psicológicos, eu e os meus problemas com peso. Tudo isso vira uma bola de neve que me deixa cada vez mais nervosa.
Há alguns anos descobri meus problemas e até então não via problema em não ter filhos. Era normal. Mas de uns tempos pra cá logicamente fui mudando os conceitos de tudo e então absorvi  uma vontade descomunal de ser mãe um dia. O que creio que não vai ser fácil.
Comecei a analisar minha vida.  Eu, agora com quase 17 anos. Entrando na universidade ano que vem, saio bacharel com 22. Somando a isso mais uns três anos pra uma estabilidade financeira, fico com 25. Não é má idade, talvez seria a época ideal.
E daí então vem o medo. Talvez eu não consiga nem a fecundação. Talvez eu aborte. Talvez, talvez, talvez...
Quando se fala em saúde há uma série de possibilidades a serem levadas em conta.
Se tudo der certo, meu desejo é ter um menino. Preciso colocar homens na minha família! E ele tem até nome: Fernando. O que não significa que se for menina seja Fernanda. Se for uma menina, eu não sei, é indefinido.
Mas não quero pensar nisso agora, não é hora.
Só escrevi isso porque dizem que o melhor tratamento pro medo é compartilhá-lo.

Trilhando.

Ultimamente eu ando perdida.
Não nos meus devaneios, nem nas histórias da vida do meu alter ego.

Nos próximos oito meses, minha vida se resumirá a livros de leitura cansativa e antiga com linguagem extremamente formal, idas solitárias e incansáveis à biblioteca do colégio, sábados inteiros ganhados no cursinho, e um estresse inesgotável.
Daí você me questiona: vale a pena todo esse esforço?
E eu te respondo: vale!

Vale porque eu quero ter opinião formada sobre as coisas (e não ser mais um bonequinho alienado), quero conhecer o mundo ao meu redor. Quero ser a primeira das últimas gerações da minha família a ter um curso superior numa Instituição pública. Não quero ser só o orgulho da família, quero ser o meu orgulho.

Quero encher o peito e poder falar que venci! Eu tenho um sonho. E estou correndo atrás.