Pare de sonhar e viva.

"A vida é impressionante.
Os sonhos mais ainda."


Saí para aprender. Saí para buscar o conhecimento que me falta. Não fui conhecer novas pessoas, saí para ser mais.
Nessa trilha cheia de poréns, coisas acontecem, logicamente. Coisas inesperadas aconteceram.

Aviso: devanearei.
Cheguei nos meus sonhos. Sempre digo que sonhar é a coisa mais linda da vida, pois é de graça e nos faz perceber o quanto tudo pode ser melhor. Pois então, contarei-lhes um sonho projetado que venho tendo há um tempo, tempo suficiente para ter certeza do que digo. E quando digo suficiente, quero dizer longo.
: um homem, de 1,8m de altura, talvez um pouco menos, homem como homem deve ser, com cara de homem. Trejeitos extremamente masculinos, a voz rouca como a de um pássaro com suas seringes prestes a explodirem, cabelos negros, mais negros que a noite. Seu cheiro, nunca sentido, é sóbrio e envolvente, sua boca é como uma rosa, delicadamente desenhada para encher meus olhos e cheia de belos espinhos. Sua vida é como a de uma pessoa comum, nem agitada demais, nem monótona demais (creio que sou uma pessoa anormal, já que monotonia é coisa que não falta na minha vida). Seus amigos são em sua maioria inteligentes, cultos e dosadamente engraçados.
Esse é aproximadamente o homem dos meus sonhos, literalmente. Não o sonho de consumo, como costumam dizer, mas o sonho inatingível, o sonho sonhado quando deito a cabeça no travesseiro e começo a pensar na vida. É um ideal de homem. Claro que ele tem ainda algumas peculiaridades, mas estas não são importantes agora.

Voltando à trilha dos poréns, depois de passar algumas horas ouvindo coisas que enalteceram minha visão de mundo, meu cérebro despedaçava-se. Comecei a sentir um cheiro gostoso, acolhedor demais. Achei tudo um pouco estranho, poderia ser coisa da minha cabeça mesmo, pois já estava cansada. O cheiro sóbrio me envolvia de tal maneira que era impossível me concentrar em todas aquelas palavras. Parei por instantes para suspirar, e aquele perfume que meteu-se nas entranhas profundas das minhas narinas agora já não deixava dúvidas: era aquele cheiro, nunca sentido, mas que agora estava ali, no ar, fazendo delirar a minha loucura carnal.
Daí em diante não consegui ter sossego por um só instante. A todo momento me vinham coisas que não deixavam minha cabeça parar. Ficava imaginando o porquê de estarmos ali, eu, ele, um ao lado do outro. Seria destino? Ou talvez uma coincidência? Ou nada? Não sei o que foi.
Paralizei. Aquele cheiro estava bom demais para eu ficar me importando com todo o resto. Fiquei ali, por alguns minutos aproveitando aquele momento. Era mágico. Foi mágico. Mal posso acreditar que vivi tudo isso, senti o tal cheiro, que pude, mesmo que fosse sem querer, tatear sua pele, macia e fofa como a de uma pelúcia de barraca de circo.

Se você ainda não captou o que eu quis dizer, deve estar se perguntando o que tudo isso tem haver com os sonhos, aliás, com o meu sonho. Digo-lhe então que hoje conheci o homem dos meus sonhos. Estava ali, em carne, osso e perfume o que eu idealizei por tanto tempo, que achava que nunca encontraria, que minha imaginação era fértil demais. Diante de mim, o rapaz que me cortejava todas as noites, que armava encontros, que dizia palavras doces, urrava quando tinha de ser. Estava ali o homem dos meus sonhos na minha vida.

Idealize o que é passar anos sonhando com algo impossível, fantasioso até então, e este algo num estalar de dedos ser palpável. É surreal, incrível. A minha vontade ali era dizer pra ele tudo o que passava pela minha cabeça e começar a viver o que acontece nos meus sonhos. Mas eu pareceria uma louca e explicar tudo isso era demais pra mim. Deixei tudo como estava, mas agora sei, que mais do que tudo, o sonho pode ser real. E é real.


Caro leitor, certifique-se de que hoje é domingo, portanto este texto é genuinamente lúcido.

Lucidez.

Gosto muito de ler meus textos, principalmente os mais recentes.
Tenho sensações tão boas quando os leio que é melhor que fazer terapia.
É como ver o meu passado e pensar: "consegui ser melhor do que isso".
É como se a pessoa que escreve esses textos não fosse eu, e que me sinto melhor do que ela. Essa pessoa que escreve é pequena, é vaga, é plana. Já eu que os leio sou maior do que isso, sou mais humana do que isso.
O mundo da que escreve gira desenfreadamente em diferentes direções, enquanto o mundo da que lê é o mesmo do seu.
A vida da que escreve é fútil, hostil e rixosa. A vida da que lê é um poço de esperança.
Os sentimentos da que escreve são desgostosos, inválidos, porém são tudo. Os sentimentos da que lê são belos, ávidos, mas vãos.


Em meio a pernilongos sedentos, não garanto a transparência de minhas palavras. Por mais estranho que pareça a cada toque na minha pele eles mexem seriamente com meus neurônios.
Numa análise extremamente crítica e apurada dos meus textos, percebi que os que são escritos aos domingos são mais sóbrios do que os escritos noutros dias. Quem entende, não é mesmo?



Basta crer.

Eu poderia devanear.
Mas agora só tenho a necessidade de contar um acontecimento. 

Era um dia normal. Pra mim era só mais um entre tantos. Eu só queria sair pra desocupar um pouco a cabeça. E foi aí que eu acabei por ocupá-la, desintencionalmente.
Enfim, eu conheci um cara. Só não imaginava que esse cara me traria tantos problemas.
Não são problemas ditos "problemas", são problemas internos, só meus, digamos assim.
Mas destino a gente não escolhe e pelo jeito eu estava fadada a conhecer tal pessoa.
Entrei e saí da vida dele assim, em pouco tempo. E pra dizer a verdade não fiz muita questão também. Não é querendo me fazer de difícil, mas é que eu não aguentaria-o por muito tempo (não aguento nem a mim, imagine a outro alguém). Homens são difíceis, você que fique aí pensando que difíceis somos nós. Equívoco seu, amiga.
Pois então, a minha ideia inicial era manter contato, mesmo depois de tudo. Pode parecer estranho mas não consigo ser daquelas que termina com o cara e não olha nem na cara do moço. Virou só ideia.
Veja só você que eu fui descobrindo com o tempo que o cara é um bosta. Mas é um bosta estilizado: inteligente feito homem macho, macho como homem deve ser. Não é bonito, eu admito, mas o cheiro era bom. Mas nem tudo é perfeito, e defeitos ele tinha de ter. E tinha. E tem. E deverá ter pelo resto da vida.
Ele é o tipo de cara que quer tudo pra si. Eu nem sei se isso existe mas ele faz o tipo "egocêntrico carente". Quer atenção o tempo todo, e quando não tem finge que o mundo está contra ele. Sente-se injustiçado com tudo. E todos. Mas isso não me incomodava. Eu não conhecia os amigos, tampouco a família dele. Preferi não conhecer e me dei bem nesse aspecto, já que pelo o que me parecia a família dele também era igualmente problemática.
Mas voltemos ao homem: não tinha como dar certo a nossa relação. Éramos iguais demais (não somos mais, observe), gostávamos das mesmas coisas, sentíamos as mesmas coisas, só que não um pelo outro. Era eu por ele e ele por ele. E então ficou difícil e eu não aguentei.
Relacionamentos são complicados demais quando não há cumplicidade. Mentíamos como quem se diz feliz o tempo todo. Não éramos satisfeitos como um casal. Não éramos. Era eu Carol e ele... bem, melhor não citar nomes, afinal, o cara é um bosta.
Não digo que ficou no passado porque se realmente estivesse eu não aqui estaria falando dele. Não sinto saudade, mas só estou relatando a nossa breve história porque queria que ele soubesse que é mais feio ser um bosta do que um apaixonado convicto. E que falar de amor não é difícil, basta crer.
O mundo nunca está contra você, amigo. Ele gira sempre nas mesmas direções e quem anda pelo sentido contrário é você. Aprenda, por favor, a respirar quando se está contra o mundo e ande a favor dele. Faça de você um homem memorável e não deixe mais outra escrever coisas desse tipo, assim como eu faço agora.


Eu sei que você vai ler isso e vai pensar melhor. Em você, é claro. Afinal, o nós já não existe mais.


"É bom quando é trágico e é trágico quando é bom."

A coisa mais feliz do mundo.

Nos últimos tempos venho estado muito estável. Daí, num suspiro percebi que estou feliz.
E não é uma felicidade momentânea, é felicidade mesmo!
Estou conseguindo controlar meu humor, sem oscilações. Parei com os remédios e comecei a viver de uma forma diferente. Estou melhor. Ainda um pouco soturna, admito, mas essa é parte da minha essência, portanto, não vejo porquê mudar.
Hoje vejo o dia de um jeito mais belo, sinto o frescor da brisa. Senti até vontade de ir à praia, dia desses. Não realizei meu desejo, mas pretendo fazê-lo até o fim do ano.
Tudo tem um novo sentido pra mim. Cada dia não é mais apenas um dia, é o dia.
O dia de mudar, o dia de fazer diferente, o dia de ser alguém não só na minha vida, mas também na vida de alguém.
Minha vida num contexto geral não está lá uma maravilha, mas vejo que tudo pode melhorar. Talvez essa ainda não seja a hora de fazer o que quero. Talvez precise de um tempo para amadurecer as ideias.
O que tiver de ser, será.

O que importa é que estou num momento mágico, de redescobertas.
E então, dentre tantas conclusões que tirei depois de todo este tempo de escrita, percebi que a felicidade não depende só de mim.

A felicidade em questão é minha, claro. Mas ela é feita por pessoas. A felicidade é estar em boas companhias, estar com quem amo. E o amor é a coisa mais feliz do mundo. E a coisa mais feliz do mundo é ser.