Gana.

Preciso desabafar e dessa vez não é sobre mim.

Eu só queria entender o por quê do dinheiro mover a vida das pessoas de tal  maneira que nem elas consigam viver. Ficam presas na sua vidinha de merda, indo e voltando de um emprego que nem gostam, fazendo 'o que deve ser feito'. Não se contentam com pouco, por mais que o pouco seja o suficiente. Querem mais, e mais. E no fim acabam tristes, algumas vezes sozinhas, angustiadas por não terem o carro do ano, um lar pra chamar de seu, a bota da moda e o vestido mais caro da loja.

Esse tipo de gente não sabe o que é um abraço apertado, sincero. Veem e exprimem interesse em demonstrações de carinho. Para elas, o afago mais sincero é o aperto de mão, pois é na mão que circula a grana, é a mão que fabrica o tijolo, é a mão fecha os olhos do outro ao dormir o sono profundo. As borboletas deveriam voar para longe, tão longe que não fosse possível enxergá-las. As flores deveriam dar lugar aos malotes. A vida ficaria cinza de prédios e verde de notas. Que bela vida essa, não?!

É desse tipo de gente que procuro me afastar. Não gosto de interesse, acho tudo fútil demais, raso demais. O que seria do mundo sem as rosas, sem as alegrias de se ver o soprar do vento numa tarde de outono com o céu alaranjado de felicidade, pronto para fazer nascer a noite de mais um dia? O que seria de nós sem os valores (estes, morais) que regem o nosso futuro? Hoje em dia nem "bom dia" se dá. O "oi" é o mesmo que "envie os malotes com urgência" ou "espero meu café no escritório". O mundo já perdeu sua essência há séculos, e só agora percebem isso com clareza. Só hoje, no tempo em que matar virou hobby, e a gana é elemento fundamental da educação dos nossos filhos.

Essa gente morreu faz tempo. Não estão vivendo para si, estão vivendo para o mundo. É por isso que os desejos dele nunca devem interferir nos seus.

Não me deixarei escapar.

Há muito tempo tenho visto sinais de que o que estou fazendo não está certo. E eu sei que não está.

Sinais em todos os lugares de que a vida é bem mais do que a vida que estou fazendo. Sim, fazendo. Nessa semana li belos textos (e outros nem tão belos assim) que me aguçaram a vontade de viver mais.
Recebi lições de moral, descontei o stress em quem não devia, ganhei um belo presente da vida com a música e comecei a ler um livro. Livro este que estava para ler há muito tempo, mas fazia de conta que ele era só enfeite na minha estante. E por falar nisso, a minha meta é fazer os livros da minha estante deixarem de serem enfeites, e passarem ao patamar de conteúdo.
Um desses belos textos que li, na verdade é uma entrevista com Rubem Alves, em que ele fala da felicidade e da vida. Preciso aprender a comer os morangos, pois estes podem ser o mais doces e saborosos dos quais experimentei.
Sei que o que fiz durante o ano de nada acrescentou ao meu ser, mas estou pronta para reinvestir em mim, e ser mais, e viver mais. Já tenho um breve planejamento dos próximos meses, e como tenho quase certeza de que não entrarei na faculdade no próximo ano, vou rumar à frente, mas sem esquecer do meu dever.
Mas afinal, ano que vem tudo será mais fácil, pois não terei a escola para me preocupar. Menos uma coisa, mais mil coisas.
Enfim, tudo será melhor, e as coisas estão melhorando, eu acredito.

"...não deixe a vida escorrer das mãos..."

Ah, e se você quiser também ler a entrevista citada, clique aqui.