O amanhã começa hoje.

Assim como eu faço em todos os anos, esta é a última postagem deste.
Este 2014 tão revelador, tão lindo, tão especial.

Este foi um ano de soma sete. Eu não faço ideia do que isso significa, mas eu sei que foi bem legal. Meu número de vida é 5, mas acho o 7 melhor.
7 foi tão revelador que até minha querida Pitty lançou um álbum todo trabalhado na energia desse número. Lindo.

Pois bem, vamos ao que interessa.

Eu finalmente consegui fazer muito do que planejava. Neste ano aprendi tantas coisas, tantas coisas que é impossível escrever aqui um pouco de cada. Tive muitas experiências, a maioria delas boas. Acho que posso dizer que este foi o ano em que eu mais vivi na minha vida.

Senti intensamente cada pitada de amor e de ódio, quando era preciso. Mas assim como os invernos e os impérios, o meu ódio passou. Só sobrou o amor.

Eu descobri que sou um ser iluminado, feito apenas de amor. Tanto amor que às vezes transborda. O amor a mim, o amor aos outros, o amor ao outro.

Principalmente no segundo semestre de 2014, acho que pude descobrir o meu eu que estava enterradinho ali nas profundezas e que resolveu sair. Eu só espero que seja pra ficar. Isso pode ser percebido inclusive aqui no QEFV, pois depois de Julho comecei a vir pra cá muito mais vezes.

Antigamente, eu vinha pra escrever as minhas lamúrias, as minhas pequenas decepções. Pois eu mal imaginava o que é uma decepção. Mas sinto que sou boa o bastante para perceber e conseguir filtrar o que de fato serve para mim, e não mais sofrer pelo que já passou.

Conheci muita gente, algumas boas, outras nem tanto, e outras maravilhosas, com os melhores abraços deste mundo. Tenho certeza que cada experiência vivida me serviu pra alguma coisa, principalmente a última. A mais curta, mas a mais reveladora para mim. Apenas para mim.

Até dos meus pequenos amores de 2014 eu vou levar o melhor. E olha que esse foi o ano mais agitado en mi corazón, mas eis que o ano acabou e cá estou eu aqui, SÓ.
Eu sei que "antes só do que mal acompanhado", mas é que todos pareciam companhias boas demais. Ai meu pai, do que eu estava falando mesmo?

Na última semana passei por uma experiência única, reveladora na minha vida. Um momento cheio de amor, afeto e fé que eu me sinto tão elevada, num êxtase de graça. Me sinto ótima, renovada. Sei que tenho quem me guie e me ajude nos caminhos tortuosos da vida. Isso é tão bom! Queria que mais pessoas passassem pelo que eu passei, vissem o que vi, sentissem o que senti. É maravilhoso. Muda a vida.

Sim, 2014 foi um ano em que pude reafirmar a minha fé em tudo o que é bom. Assim como já disse há algumas postagens, pude sentir que carrego um pouco de cada crença, não consigo me firmar a dizer que "sou isso" se por dentro sei que tenho um pouco daquilo também. Prefiro continuar assim, multicrente. Taí: multicrente. Isso é uma coisa que vou usar muito!

A minha experiência com anos pares não era das melhores, mas acho que este foi como um divisor de águas.
Eu consegui ser um pouco mais solta, mais espontânea (às vezes até demais), consegui expressar melhor as minhas opiniões e os meus sentimentos (às vezes até demais também) e não tenho um pingo de vergonha por isso.

Consegui finalmente dar um abraço em cada amigo que eu sei que realmente está comigo. Consegui ver meus amigos da praia (e mais de uma vez!), minha mina zica, minha bruxinha pelos encontros casuais da vida, meu carma eterno do interior. Só faltaram dois palhacitos que ainda estão me devendo a visita, mas isso é fácil de resolver.

Em 2014 eu finalmente tirei minha habilitação, pra sair linda e louca por aí destruindo corações nos semáforos da vida. Acho que isso foi uma das melhores coisas, de verdade.

Reafirmei pra mim mesma que tenho as melhores pessoas ao meu redor, e que o resto é dispensável. Tenho a pequena e melhor família, os melhores amigos, com quem eu brigo, chamo a atenção, que também brigam comigo e me dizem quando eu preciso SER mais.

Enfim, acho que estou bem nessa vida. O essencial eu tenho, o resto eu corro atrás.

E então, que venha 2015, este lindo ano em que completarei meus 20 belos anos de vida. Ainda estou pensando em algum acontecimento para marcar as minhas duas décadas, preciso comemorar esse dia. Até lá eu penso em alguma coisa, ainda tenho quase 1/3 de ano pra fazer isso.
No mais, meus planos pra 2015 virão numa próxima postagem. Não que isso seja deveras interessante, mas é sempre bom deixar escrito.

Ah! Quase ia esquecendo: com essa minha louca afeição por credos e crenças mundo afora, o "Sacra Sampa" finalmente saiu da minha cabeça e foi pro papel, com grandes chances de ir pra rua de verdade! Prometi pra mim mesma que não posso deixar mais nada passar despercebido.

Agora sim, acho que é só.

Demorei uns dois dias pra pensar em tudo o que escreveria aqui. Acho que das minhas postagens de fim de ano essa é mais bonita, a mais leve. Que assim seja!


"E agora que eu voltei, quero ver me aguentar!"
(risos)

A concordância me pegou. - "A Série do Desencanto"

Agora somos só você e eu.
Nada mais pode nos parar.
Nada mais pode me parar.

Olho em seus olhos e neles vejo
fervor
calor
não há esperança.

Olhos frios, como os de um lobo
pronto para atacar
morder
matar.

Olhos fundos, negros com um toque de mel
soturnos
notívagos
fáceis.

Seu cheiro, profundo
envolvente
fascinante
atraente.

Seu toque, áspero
teso
cálido
forte.

Seu sorriso, claro
longo
hipnotizante
desagradável.

O dia amanheceu tão de repente
mal pude ver a noite sair
cair sobre mim.

Passei dias vagando no vazio
como aquele que encontrei em seus olhos
tentando me encontrar.

Eu não estava ali
nunca estive no seu olhar
jamais poderia estar.

Sua visão não me via
não me percebia
não me sentia.

Seu cheiro me atraía
fascinava
mas não me envolvia.

Seu toque só me fez ferir
padecer
esperar.

Seu sorriso não me convencia
não caí dessa vez
apática fiquei.


Tenho a memória boa demais. Espero que isso tudo se esvaia. Como o vento, que nunca passa pelo mesmo lugar.

O destino abate o forte.

Eu queria não começar um texto escrevendo "eu queria". Mas é impossível.
O meu eu está muito ativo ultimamente. Tão ativo que estou escrevendo mais uma vez aqui.

Eu queria estar aqui para contar sobre a felicidade, sobre o progresso. Mas não estou. Cá me encontro para desabafar. Sobre tudo.

Eu queria dizer tanta coisa para tanta gente, mas na hora em que tenho a palavra só consigo dizer besteiras. Ser menos impulsiva, menos explosiva é o que eu queria. Eu quero demais, eu quero o impossível.

Eu queria saber ser mais direta. Já tentei por tantas vezes exercitar essa virtude, mas cada tentativa é um fracasso maior. Eu fui feita para moldar, para saber dizer, saber escolher as palavras. Nunca fui de "jogar na cara" o que eu penso e sinto. Quando sinto a necessidade de falar, faço isso pelas entrelinhas.

O problema é que a maior parte das pessoas não sabe ler nas entrelinhas. Têm preguiça de parar para pensar. Eu odeio muito isso. Eu queria ter o poder de recitar um longo poema e fazer com que o receptor entendesse a mensagem. Em vão.
O homem (homem ser humano) moderno não foi feito para escutar, para ouvir, para refletir. Ele foi feito para ferir, para julgar, para dizer.

Eu não gosto do homem moderno. Não gosto da maneira de como as pessoas andam na rua, me sinto cada vez mais afogada com tanta tecnologia para inutilidades. A vida é tão maior que isso, que eu acho que poderíamos saber aproveitar mais dela.

Porém ninguém sabe como fazê-lo. Sempre querem o mais atual, o mais moderno, o que tem mais recursos, sem perceber que estão sendo consumidos pelo consumismo.

O que eu queria nesse exato instante era poder ter o poder de fazer com que as pessoas prestassem um pouco mais de atenção em mim, para o que tento dizer. Porque elas não prestam, ninguém presta.

Sou um ser incompreendido e não julgue isso como vitimização. Sou incompreendida porque ninguém tem tempo de parar e me ouvir, me ver e perceber os meus sinais.
Finjo então que sou como eles, e guardo tudo para mim. Guardo até a hora de poder colocar tudo pra fora, com as palavras certas, minuciosamente medidas. Feitas para que alguém me compreenda.

Comecei este texto com uma ideia tão pequena e ele se transformou nisso tudo. Eu realmente preciso que alguém me escute.

Ortografia.

Praticamente abandonei isso daqui por dois anos, e eis que volto cheia de idéias na cabeça e com vontade de dominar o mundo.
Eu sei que às vezes tenho uma grande mania de grandeza (hmm, pleonasmo??), mas é que os últimos tempos vêm sendo muito diferentes.
Eu na verdade queria contar uma coisa: estou achando que preciso de um psicólogo de novo.

Há muito tempo, quando eu estava louca e angustiada com o mundo e comigo, decidi que precisava dividir isso com alguém que não me julgasse. E foi o que fiz.
Num belo dia eu acordei e fui pro psicólogo. Cheguei lá e ele era o cara mais alheio do mundo, mas mesmo assim em uma hora contei minha breve história e derramei um rio de lágrimas. Saí de lá crente que nunca mais voltaria, e na verdade eu acho que só precisava chorar. Foi apenas uma sessão, suficiente para provar que não era aquilo que resolveria meus problemas.
Pois então, eu percebi que estou voltando a ser a mesma pessoa dessa época, não com os mesmos problemas, mas com as mesmas angústias.
Eu nunca fui muito de pensar nas coisas e talvez isso me faça impulsiva demais, e eu acho super legal estar escrevendo isso porque prova que eu reconheço essa minha insensatez. O fato de saber que se tem um problema já é um grande passo.
Eu não, não queria mesmo ter que admitir, mas nesse instante, logo após ter cometido um dos maiores erros da minha breve vida até então, ou talvez tendo feito a coisa mais sensata no meu mar de insensatez, eu reconheço que mais uma vez perdi.
Perdi o controle de mim mesma, perdi a noção e percebi como é ruim não ter pra onde fugir. Eu prefiro ficar com a segunda opção e achar que o meu recente feito foi uma grande descoberta, pois sei até onde vai a minha louca loucura.
Eu só sei que as coisas não fazem sentido, este texto não faz nenhum sentido. Eu não faço sentido.

Ontem me peguei ouvindo umas músicas com teor bem intenso, daquelas que pegam profundamente na alma e trazem aquela fúnebre nostalgia. Eu já previa.
Mas, apesar de todos, eu me sinto extremamente bem. Me sinto bem porque tenho motivos de sobra pra gostar dessa vida e não ficar por aí lamentando como eu fazia antigamente.
Eu já disse que a roda está girando, e ela nunca pára, assim como eu nunca vou parar de usar o acento diferencial nas palavras. 

Eu acredito:

Este pode ser o texto com o teor mais íntimo já escrito por mim, sobre mim. Eu não sou muito de falar sobre as minhas predileções e talvez por isso alguns achem que eu sou estranha por não falar de nada disso.
Pois bem, já que comecei, vou terminar:
Eu não acredito em Deus. Não vejo sentido em colocar Deus sobre todas as coisas e amá-lo como sendo um ente parte da minha vida. Deixar de praticar o bem pois terei o perdão de Deus não faz parte do meu ser.
Deus, deus, deuses, Deuses.
Eu acredito nos Deuses. Acredito no Deus da Água, do Fogo, no Deus da Agricultura e das terras férteis, acredito no Deus do Amor, no Deus da Sabedoria.
Eu acredito na Deusa. Acredito no poder do Sagrado Feminino, acredito na força de Hera, de Hécate, de Diana, de Ísis e todos os outros nomes que a ela dão.
Eu acredito na Lei Tríplice, acredito nas forças do Universo, nos cinco elementos essenciais: a terra, o fogo, a água, o ar e o espírito.
Eu acredito na Bruxaria, nos rituais, nos sabaths, nos esbaths e na influência da lua e das estações sobre as nossas vidas.
Eu acredito nos signos,  no horóscopo e nos cornos de Áries.
Eu acredito em Maria Madalena, em Jesus como sendo um homem bom e caridoso.
Eu acredito no poder dos Santos, vejo São Jorge na lua e sou apaixonada pela beleza das representações de pessoas e espíritos que fizeram e fazem tantas benfeitorias.
Eu acredito no tambor da Umbanda, no passe da mãe-de-santo, sou filha de Iemanjá e nela acredito com todas as minhas forças. A vejo por toda a água que corre em mim e me emociono sempre que nela penso.
Eu acredito em Ganesh, em Shiva, em Lakshmi.
Eu acredito em Buda e nos ensinamentos dos mestres budistas.
Eu acredito na força dos índios e dos animais da floresta. Acredito nos xamãs e no poder das plantas e do pensamento.
Eu acredito em Amon, em Rá, em Hórus e Maat.
Eu acredito na numerologia, na quiromancia e nos búzios.
Eu acredito na cura espiritual, nas psicografias , na mediunidade e na paranormalidade.
Eu acredito nos cânticos, nos mantras, nas cantigas e nas orações feitas de coração.
Eu acredito no olho que tudo vê, no solve et coagula, no tarot, na roda da fortuna, nas fadas, nos seres mágicos.
Eu acredito em tudo o que me parece ser bom, sem distinções.
Eu não acredito no diabo, demônio, satan, tinhoso ou seja lá como você gosta de chamar essa coisa que dizem que faz o mal. Para mim, o mal está em cada um de nós e cada um tem maior ou menor propensão de praticá-lo.
Eu não acredito na bíblia. Não vejo como sendo um livro sagrado. A bíblia tem algumas passagens dignas de histórias de terror, assim como também tem roteiros de amor e compaixão ao próximo. Prefiro acreditar que a bíblia é um livro de histórias muito antigo, e não um guia espiritual.
Eu não acredito no inferno. Como já diria a música: o inferno são os outros. Acredito talvez no limbo, e creio que o purgatório seja viver pairando por aí, não se conformando com a morte e tendo que observar a vida alheia como um espírito sem luz.
Eu não acredito na religião, eu acredito no bem.
*Este texto originalmente é a conclusão da minha última publicação, porém ele ficou tão completo e tão verdadeiro por si só, que eu achei que o mesmo merecia um tratamento adequado. Justiça, apenas.

Moira

Olá velho mundo. Quem vos escreve sou eu. Eu mesma.
Aquela que esteve aqui quando tudo estava desabando. E talvez ainda esteja.
Vim contar-lhe como é estar aqui, em tal situação.
Vou começar do começo, porque como já é visto: sim, eu gosto do pleonasmo. Ser redundante é insistir no que é certo.

Quando nasci, assim como todo ser que habita este mundo material insólito e intrépido, queria apenas ser. Ser é tudo o que eu necessitava.
Até que cresci um pouco e fui percebendo o real propósito de viver e estar e ser.
Cada um de nós está aqui por um motivo, um motivo muito forte que nos faz acreditar no que acreditamos e fazer o que fazemos. Cada pequena alma que vem para cá a todo instante já nasce com uma missão, que se não cumprida em sua totalidade agora, ficará na pendência para resolver tudo da próxima vez.
Eu acredito em tudo o que eu posso ver e em tudo o que posso sentir, principalmente. Eu sinto que vim parar aqui para fazer algo de muita relevância. Eu sei que não vim mudar o mundo, tampouco achar a solução para os problemas da humanidade, mas eu vejo a cada dia e a cada fase da minha vida que o meu propósito está sendo cumprido.
E de maneira nenhuma isso está relacionado às minhas conquistas materiais, aos meus poderes palpáveis. O que quero dizer é que eu nasci para melhorar a vida de alguém, e pode ser que esse alguém seja até eu mesma.
Mas qual o sentido em nascer para melhorar a si próprio quando há um mundo inteiro penando e sofrendo?
Veja, eu não sei e você também provavelmente não sabe, mas em outras passagens por este lugar, podemos ter feito coisas muito ruins, coisas que julgaríamos como bárbaras e impiedosas.
Pois bem, quando saímos desta passagem fadados a viver com a culpa por ter feito algo que prejudicou alguém, ficamos vagando por muito tempo na imensidão da vida alheia procurando um corpo vazio para habitar. É por esse motivo que tanta gente faz coisas que não deseja fazer. Existem forças das quais nós, simples mortais, não podemos e nem somos capazes de controlar.
Ok, mas onde eu quero chegar com tudo isso?
Eu quero dizer que, por mais ruim que pareça ser a sua vida, por mais fúteis que pareçam ser os seus motivos de estar aqui, por mais ínfimos e pífios que sejam os seus objetivos, metas ou a sua própria missão, você nunca deve desistir. Jamais.
Eu digo isso porque com o passar do tempo estou começando a entender a minha própria missão. As poucas vezes em que eu consegui enxergar a luz e me conectar com a vastidão me mostraram que eu estou aqui por um motivo muito bom e que eu devo continuar espalhando a mensagem por esse mundo.
Posso ser uma só, com meus medos, anseios, fracassos, mas além de tudo, e além de ser humana, eu vivo por tudo isso daqui para alimentar meu espírito. Eu sinto que sou uma parte de alguém que deixou este lugar com pendências a serem resolvidas, e a cada passo meu, posso sentir que estou no caminho certo para resolver cada uma delas da maneira mais justa e igual para todos.
Quando eu for velha, e eu quero ficar velha, poderei deixar este mundo com a quase certeza de que eu cumpri minha missão, já que a certeza absoluta eu só terei se não voltar novamente.


Não fomos feitos para amar.

Este não é um texto sobre desilusão.

Já cansei de dizer aqui que às vezes eu desejo que tudo isso se acabe. Também já repeti por diversas vezes que eu acho que a gana deixa qualquer um louco. Não sei o que vem me ocorrendo que eu estou cansada de tudo.
Acho que tem um encosto maligno pairando sobre a minha cabeça. Mas o fato é que o tempo vem se mostrando muito cruel e me deixando mais amarga, ou talvez mais preparada para a vida.
Essa amarga vida que nunca se cansa de destruir cada pedaço meu a cada dia, que ri da minha cara a cada tropeço meu, que se invalida quando eu estou bem.

Eu só precisava entender o por quê de tudo isso.
O motivo de eu estar assim, vazia.
Por fora, quem vê pensa que sou um mar de felicidade.
Sou sorridente com quem merece, grata com todos, gentil com a maioria.
Passo o dia cantarolando músicas que só expressam o que eu sinto dentro de mim, mas todos pensam que são apenas músicas, e então eu pareço bem.
Fico observando o vago por longos minutos mas parece que eu estou pensando, e então eu pareço bem.
Sou uma máscara de alguém feliz.

De uns tempos pra cá, comecei a buscar nos outros o que não encontro em mim.
Fracassei.
Parece que quanto mais pessoas eu conheço e quanto mais eu conheço as pessoas, maior é o oco.
Beijei muitas bocas e experimentei muitos abraços, mas todos tão frios que a cada manifestação dessa, um pedaço meu necrosa e se desfaz.

Às vezes fico imaginando o que as pessoas pensam e falam de mim.
De alguns, espero sempre que sejam coisas boas, apesar de saber que a língua do ser humano é o maior mal da humanidade.
De outros, acho que quando viro as costas sou bombardeada com os piores pensamentos e opiniões possíveis.
"Ah, mas você não deve se importar com o que eles pensam", eles dizem.
Falar dessa forma é muito fácil quando não se tem mais ninguém para julgar você.

Cada passo que dou desencadeia em dez julgamentos mais, dez opiniões mais, dez "você deveria ser assim" mais.
Eu não aguento.
Não aguento a cada esquina ser obrigada a escutar estupidez, ódio, intolerância.
Às vezes me vem à cabeça que sou louca, mas daí percebo que loucos somos todos nós.
Somos loucos por dizer uma coisa e fazer o oposto.
Somos loucos por sentir as piores coisas possíveis para com os nossos iguais.
Somos loucos por ter nascido.

Vou parar de viver e voltar a ser como era antes.
Ao menos eu terei ceticismo só comigo, e não com todo o resto do mundo.

Não vou me findar, vou fazer cada um engolir sua própria língua, furar seus próprios olhos, estourar cada um de seus tímpanos, rasgar suas peles, cortar suas mãos.
Quero que eles se acabem em chamas.
Quero ver queimar.
Vou fazer queimar.

2014, Out 20 - 26

Nesta semana:
...me vi procurando por algo
...conheci o velho novo
...me peguei lendo Fausto como se fosse o livro mais fresco das prateleiras.

Nesta semana:
...passei na prova do Detran
...fiquei mais feliz do que nunca
...fiquei feliz pra caralho.

Nesta semana:
...experimentei uma cerveja maravilhosa
...curti com os amigos
...fiquei louca no metrô.

Nesta semana:
...apaguei o número do boy da agenda do celular
...destruí as lembranças
...cansei de ser trouxa.

Nesta semana:
...quase tive um ataque do coração
...achei que teria que conviver com um fantasma
...me senti aliviada.

Nesta semana:
...tive uma decepção
...percebi que não vale a pena me abater
...segui.

Nesta semana:
...fiquei rica
...fiquei pobre no mesmo dia
...me senti o ser mais inteligente do universo.

Nesta semana:
...matei mentalmente uma professora
...quis que fosse de verdade
...não me arrependi.

Nesta semana:
...terminei meu projeto da faculdade
...temi pelo próximo
...senti orgulho.

Nesta semana:
...voltei a ler Agatha Christie
...mais uma vez me encantei
...descobri que não quero mais parar.

Nesta semana:
...peguei estrada
...conheci gente feia
...conheci gente linda.

Nesta semana:
...vi o sol
...vi as nuvens
...mas só queria ter tomado um banho de chuva.



A roda está girando.

"O que foi, torna a ser. O que é, perde existência. O palpável é nada. O nada assume essência."
Goethe

Eles não vão parar até que te derrubem

Está feito.
O mundo está louco.
As pessoas estão loucas.
Eu também estou.

Eu passei muito tempo pensando no que escreveria aqui, pensando o que poderia expressar tão claramente o meu pesar pela vida. Dificilmente eu conseguirei dizer tudo, pois é muita coisa. Talvez se eu escrevesse um livro cheio de histórias de decepções eu colocaria tudo pra fora, mas como isso não é um livro, vou poupá-los da fadiga.


"O mundo é o mesmo. Há menos razões para se viver."

Fuerza y Honor.

Hoje eu vim escrever este texto só pra ver se consigo desabafar e colocar pra fora tudo o que eu preciso falar.

Não, eu não sou mais a pessoa mais feliz do mundo que apareceu há alguns posts atrás. Hoje, e principalmente neste momento eu sou a pessoa mais angustiada do mundo.
Parece que tem um vulcão prestes a expelir sua lava fumegante dentro de mim. E ele está cada vez mais quente e cada vez mais ativo.
Eu não sei porque as coisas acontecem dessa forma, mas eu acho que a Roda da Fortuna tá girando de um jeito errado pra mim.
A igualdade entre os tempos ruins e bons não está acontecendo e isso está me matando. Há mais tempos ruins e de tristeza do que tempos de bonança e felicidade.

Quando escrevo textos que têm muitas palavras de negação é porque estou escrevendo pra literalmente vomitar tudo o que está dentro de mim.
Eu acho que há certas pessoas que deveriam sumir e, sinceramente, se elas o fizessem não haveria a menor diferença para mim. Seria um alívio.

A minha angústia está num ponto tão alto que eu sinto vontade largar tudo e sumir, num retiro espiritual pela floresta sem dia pra voltar. Eu mato mentalmente cada um que parece me atingir e, o meu cemitério está cada vez maior.

O tempo passa e a gente começa a perceber o que uma pessoa pode fazer pra chegar onde quer e ser mais. E as pessoas fazem de tudo, tudo mesmo!
Eu acho que esse mundo não é pra mim. Eu acho que as pessoas não são pra mim. Não consigo corroborar com essa forma de viver: fazer o possível e o impossível, passando por cima dos outros apenas para ser "mais forte".

Pois saiba que FORTE de verdade é aquele que sustenta suas ideias até o fim e não deixa a ganância e o fervor subirem à cabeça. FORTE de verdade é aquele que respeita a tudo e a todos, entendendo as limitações de cada um e se adaptando à forma de viver dos demais. Forte de verdade é o que sabe vencer de maneira virtuosa.

Ninguém aqui é forte. Ninguém.



Amor,

Eu sinceramente não sei porque gosto tanto de você. Não entendo quando meu coração palpita ao te ver, e não vejo sentido em estar na sua vida.
Talvez seja por causa de tantas negações que eu te amo tanto assim. Estou perdida num universo maluco de sentimentos que ora me deixa morrendo de vontade de te ver e estar perto de você, ora me desperta a ira e me faz odiar-te eternamente (ou até o outro ciclo começar).
Eu queria ter peito suficiente pra te falar frente a frente tudo o que eu acho que sinto, mas ainda não sou tão boa assim. Então espero que você seja capaz de captar o meu amor e o meu fervor pelo ar.
Que fique claro que eu não quero te obrigar a amar um amor que não existe. Eu só quero te dizer que te quero, que te espero e que precisamos acertar nossas contas e ver como vai ser daqui pra frente.

Aqui quem vos fala é a Carol, por inteiro.

Statu Variabilis

Eu quero primeiro dizer que estou muito feliz em escrever aqui de novo, pois estar viva mais um dia diante da loucura desse mundo já é uma vitória.
Mas na verdade esse post não é sobre loucura, é sobre felicidade.

Estou extremamente feliz. Muito feliz, mesmo. Como já disse, estou feliz por estar aqui, mas estou feliz e contente mesmo com a minha vida toda.
Parece que quando a gente fica velho vai vendo que a vida não é só um mundinho cor-de-rosa cheio de frufrus e sonhos, mas é também feita de luta, esforço e competência.
E mesmo com tanta coisa ruim acontecendo com as pessoas e as relações humanas mundo afora, mesmo com tanta desgraça, com gente se matando por nada, com gente morrendo por tudo, eu sinto que estou cada vez mais descobrindo quem sou eu de verdade.

Meus caros, eu de verdade sou a pessoa mais feliz desse mundo. E não é uma reles felicidade, de pífios objetivos. É uma felicidade feliz. 
Eu tenho observado que há certas coisas que me deixam mais feliz apenas pelo fato de existirem, apenas pelo fato de serem.
Isso aqui, por exemplo. Eu havia esquecido deste maravilho refúgio que se chama Quando Eu For Velha, que eu criei quando me sentia uma tola e inútil no meio dos outros. E cá estou eu, cinco anos depois do início ainda contando meus causos, aflições e por que não, as minhas felicidades! Eu havia me esquecido do quanto é bom estar de volta.
Dia desses me peguei, mais uma vez, lendo meus antigos textos daqui. Percebi que tudo o que foi vivido por mim e pelo meu alter ego (que às vezes insiste em ter vida própria e tomar posse do meu corpo) foi bom pra crescer, aprender com o bom e o ruim e entender porquê a vida tem seu doce sabor amargo. 

Sim! Agora eu sei que nada é perfeito.
Sim! Agora eu sei que a verdade prevalece.
Sim! Agora eu sei o que é o amor.

O amor, que é tão sublime e as pessoas insistem em complicar. Insistem em dizer que ele não presta, que é é mau, que faz sofrer e etc etc etc... Meus amigos, eu lhes digo: o amor é lindo, o amor é belo.
O amor é o anoitecer, o entardecer e o amanhecer. O amor é uma flor que desabrocha sem estar madura, é a fruta que cai do pé sobre a sua cabeça e te faz criar um "galo" na testa. O amor é instável, mas é amor. E contra isso não há luta ou batalha que vença: o amor é maior que tudo isso daqui.

Isso daqui é toda a balbúrdia que acontece nessas terras de ninguém. É essa guerra travada por pessoas contra pessoas, pelo simples motivo de querer estar. 
O "estar" é o pior verbo a ser conjugado, visto que estar não é ser e ser não é estar. Estar é ser provisório, ser reles, ser comum. Ser é ser único, ser lembrado. Eu não venho estando e nem sendo, eu venho tornando-me.

Tornando-me livre de qualquer arrependimento que possa ter me ocorrido algum dia, tornando-me cada vez mais consciente das minhas palavras, e mais do que isso, venho tendo plena clareza do que estou fazendo e porque estou fazendo. 

Já desperdicei gerúndios demais neste texto. Vamos ao que interessa:

O fato é que eu voltei agora pra ficar porque aqui, aqui é meu lugar porque eu estou me sentindo tão completa, de verdade, que precisava dizer isso pra alguém. Eu quitei todos as minhas pendências (e encare isso fora da esfera financeira), trabalho com pessoas que me fazem bem, tenho amigos mais do que poderia imaginar, continuo indo aos meus shows malucos e tenho uma pequena família que é tudo o que eu preciso, o resto é dispensável.

Desculpe-me se fui muito além do que deveria por hoje, mas é que me sinto como naqueles filmes em que uma pessoa não vê a outra por muito tempo, e então os dois se encontram num aeroporto e rola aquela corrida em câmera lenta e logo depois um longo e caloroso abraço. O QEFV é essa "pessoa".
Essa postagem só saiu, na verdade, porque eu finalmente estou de férias, depois de um terrível semestre na faculdade, mas que enfim, acabou. E daí eu estava já fazendo a minha lista do que fazer nas férias e são tantas coisas que vou precisar de mais uma postagem pra contar o resto.


Isso foi só o longo abraço, daqui a pouco vem a pausa para um café.



O fim?

Eu só queria dizer pra mim mesma que estou cansada de mentir.
De sustentar por tanto tempo uma mentira vivida apenas por mim.
Estou cansada de fingir que está tudo bem, tudo normal.
Estou cansada de pensar que sou alguém normal quando o que mais tenho são fantasmas em minha mente.
Eu só queria que tudo isso acabasse.
Estou cansada de mim.
Eu só preciso de um conforto, mas não sei como começar.
Na verdade sei, mas não quero aceitar.
Talvez seja mais fácil só ficar aqui escrevendo
enquanto vejo minha vida passar.