Eu acredito:

Este pode ser o texto com o teor mais íntimo já escrito por mim, sobre mim. Eu não sou muito de falar sobre as minhas predileções e talvez por isso alguns achem que eu sou estranha por não falar de nada disso.
Pois bem, já que comecei, vou terminar:
Eu não acredito em Deus. Não vejo sentido em colocar Deus sobre todas as coisas e amá-lo como sendo um ente parte da minha vida. Deixar de praticar o bem pois terei o perdão de Deus não faz parte do meu ser.
Deus, deus, deuses, Deuses.
Eu acredito nos Deuses. Acredito no Deus da Água, do Fogo, no Deus da Agricultura e das terras férteis, acredito no Deus do Amor, no Deus da Sabedoria.
Eu acredito na Deusa. Acredito no poder do Sagrado Feminino, acredito na força de Hera, de Hécate, de Diana, de Ísis e todos os outros nomes que a ela dão.
Eu acredito na Lei Tríplice, acredito nas forças do Universo, nos cinco elementos essenciais: a terra, o fogo, a água, o ar e o espírito.
Eu acredito na Bruxaria, nos rituais, nos sabaths, nos esbaths e na influência da lua e das estações sobre as nossas vidas.
Eu acredito nos signos,  no horóscopo e nos cornos de Áries.
Eu acredito em Maria Madalena, em Jesus como sendo um homem bom e caridoso.
Eu acredito no poder dos Santos, vejo São Jorge na lua e sou apaixonada pela beleza das representações de pessoas e espíritos que fizeram e fazem tantas benfeitorias.
Eu acredito no tambor da Umbanda, no passe da mãe-de-santo, sou filha de Iemanjá e nela acredito com todas as minhas forças. A vejo por toda a água que corre em mim e me emociono sempre que nela penso.
Eu acredito em Ganesh, em Shiva, em Lakshmi.
Eu acredito em Buda e nos ensinamentos dos mestres budistas.
Eu acredito na força dos índios e dos animais da floresta. Acredito nos xamãs e no poder das plantas e do pensamento.
Eu acredito em Amon, em Rá, em Hórus e Maat.
Eu acredito na numerologia, na quiromancia e nos búzios.
Eu acredito na cura espiritual, nas psicografias , na mediunidade e na paranormalidade.
Eu acredito nos cânticos, nos mantras, nas cantigas e nas orações feitas de coração.
Eu acredito no olho que tudo vê, no solve et coagula, no tarot, na roda da fortuna, nas fadas, nos seres mágicos.
Eu acredito em tudo o que me parece ser bom, sem distinções.
Eu não acredito no diabo, demônio, satan, tinhoso ou seja lá como você gosta de chamar essa coisa que dizem que faz o mal. Para mim, o mal está em cada um de nós e cada um tem maior ou menor propensão de praticá-lo.
Eu não acredito na bíblia. Não vejo como sendo um livro sagrado. A bíblia tem algumas passagens dignas de histórias de terror, assim como também tem roteiros de amor e compaixão ao próximo. Prefiro acreditar que a bíblia é um livro de histórias muito antigo, e não um guia espiritual.
Eu não acredito no inferno. Como já diria a música: o inferno são os outros. Acredito talvez no limbo, e creio que o purgatório seja viver pairando por aí, não se conformando com a morte e tendo que observar a vida alheia como um espírito sem luz.
Eu não acredito na religião, eu acredito no bem.
*Este texto originalmente é a conclusão da minha última publicação, porém ele ficou tão completo e tão verdadeiro por si só, que eu achei que o mesmo merecia um tratamento adequado. Justiça, apenas.

Moira

Olá velho mundo. Quem vos escreve sou eu. Eu mesma.
Aquela que esteve aqui quando tudo estava desabando. E talvez ainda esteja.
Vim contar-lhe como é estar aqui, em tal situação.
Vou começar do começo, porque como já é visto: sim, eu gosto do pleonasmo. Ser redundante é insistir no que é certo.

Quando nasci, assim como todo ser que habita este mundo material insólito e intrépido, queria apenas ser. Ser é tudo o que eu necessitava.
Até que cresci um pouco e fui percebendo o real propósito de viver e estar e ser.
Cada um de nós está aqui por um motivo, um motivo muito forte que nos faz acreditar no que acreditamos e fazer o que fazemos. Cada pequena alma que vem para cá a todo instante já nasce com uma missão, que se não cumprida em sua totalidade agora, ficará na pendência para resolver tudo da próxima vez.
Eu acredito em tudo o que eu posso ver e em tudo o que posso sentir, principalmente. Eu sinto que vim parar aqui para fazer algo de muita relevância. Eu sei que não vim mudar o mundo, tampouco achar a solução para os problemas da humanidade, mas eu vejo a cada dia e a cada fase da minha vida que o meu propósito está sendo cumprido.
E de maneira nenhuma isso está relacionado às minhas conquistas materiais, aos meus poderes palpáveis. O que quero dizer é que eu nasci para melhorar a vida de alguém, e pode ser que esse alguém seja até eu mesma.
Mas qual o sentido em nascer para melhorar a si próprio quando há um mundo inteiro penando e sofrendo?
Veja, eu não sei e você também provavelmente não sabe, mas em outras passagens por este lugar, podemos ter feito coisas muito ruins, coisas que julgaríamos como bárbaras e impiedosas.
Pois bem, quando saímos desta passagem fadados a viver com a culpa por ter feito algo que prejudicou alguém, ficamos vagando por muito tempo na imensidão da vida alheia procurando um corpo vazio para habitar. É por esse motivo que tanta gente faz coisas que não deseja fazer. Existem forças das quais nós, simples mortais, não podemos e nem somos capazes de controlar.
Ok, mas onde eu quero chegar com tudo isso?
Eu quero dizer que, por mais ruim que pareça ser a sua vida, por mais fúteis que pareçam ser os seus motivos de estar aqui, por mais ínfimos e pífios que sejam os seus objetivos, metas ou a sua própria missão, você nunca deve desistir. Jamais.
Eu digo isso porque com o passar do tempo estou começando a entender a minha própria missão. As poucas vezes em que eu consegui enxergar a luz e me conectar com a vastidão me mostraram que eu estou aqui por um motivo muito bom e que eu devo continuar espalhando a mensagem por esse mundo.
Posso ser uma só, com meus medos, anseios, fracassos, mas além de tudo, e além de ser humana, eu vivo por tudo isso daqui para alimentar meu espírito. Eu sinto que sou uma parte de alguém que deixou este lugar com pendências a serem resolvidas, e a cada passo meu, posso sentir que estou no caminho certo para resolver cada uma delas da maneira mais justa e igual para todos.
Quando eu for velha, e eu quero ficar velha, poderei deixar este mundo com a quase certeza de que eu cumpri minha missão, já que a certeza absoluta eu só terei se não voltar novamente.


Não fomos feitos para amar.

Este não é um texto sobre desilusão.

Já cansei de dizer aqui que às vezes eu desejo que tudo isso se acabe. Também já repeti por diversas vezes que eu acho que a gana deixa qualquer um louco. Não sei o que vem me ocorrendo que eu estou cansada de tudo.
Acho que tem um encosto maligno pairando sobre a minha cabeça. Mas o fato é que o tempo vem se mostrando muito cruel e me deixando mais amarga, ou talvez mais preparada para a vida.
Essa amarga vida que nunca se cansa de destruir cada pedaço meu a cada dia, que ri da minha cara a cada tropeço meu, que se invalida quando eu estou bem.

Eu só precisava entender o por quê de tudo isso.
O motivo de eu estar assim, vazia.
Por fora, quem vê pensa que sou um mar de felicidade.
Sou sorridente com quem merece, grata com todos, gentil com a maioria.
Passo o dia cantarolando músicas que só expressam o que eu sinto dentro de mim, mas todos pensam que são apenas músicas, e então eu pareço bem.
Fico observando o vago por longos minutos mas parece que eu estou pensando, e então eu pareço bem.
Sou uma máscara de alguém feliz.

De uns tempos pra cá, comecei a buscar nos outros o que não encontro em mim.
Fracassei.
Parece que quanto mais pessoas eu conheço e quanto mais eu conheço as pessoas, maior é o oco.
Beijei muitas bocas e experimentei muitos abraços, mas todos tão frios que a cada manifestação dessa, um pedaço meu necrosa e se desfaz.

Às vezes fico imaginando o que as pessoas pensam e falam de mim.
De alguns, espero sempre que sejam coisas boas, apesar de saber que a língua do ser humano é o maior mal da humanidade.
De outros, acho que quando viro as costas sou bombardeada com os piores pensamentos e opiniões possíveis.
"Ah, mas você não deve se importar com o que eles pensam", eles dizem.
Falar dessa forma é muito fácil quando não se tem mais ninguém para julgar você.

Cada passo que dou desencadeia em dez julgamentos mais, dez opiniões mais, dez "você deveria ser assim" mais.
Eu não aguento.
Não aguento a cada esquina ser obrigada a escutar estupidez, ódio, intolerância.
Às vezes me vem à cabeça que sou louca, mas daí percebo que loucos somos todos nós.
Somos loucos por dizer uma coisa e fazer o oposto.
Somos loucos por sentir as piores coisas possíveis para com os nossos iguais.
Somos loucos por ter nascido.

Vou parar de viver e voltar a ser como era antes.
Ao menos eu terei ceticismo só comigo, e não com todo o resto do mundo.

Não vou me findar, vou fazer cada um engolir sua própria língua, furar seus próprios olhos, estourar cada um de seus tímpanos, rasgar suas peles, cortar suas mãos.
Quero que eles se acabem em chamas.
Quero ver queimar.
Vou fazer queimar.