Tormenta

As nuvens se formavam cada vez mais pesadas. O ar era frio a cada suspiro. Os borrões da minha visão escondiam tudo aquilo que eu não podia transparecer.
Aquele dia foi talvez o mais difícil de todos, mas para mim foi o mais leve. Eu conseguia sentir os toques e ver os pesares, mas já estava feito e eu não podia voltar mais atrás.
As minhas veias se endureceram e meu coração parou. Meus olhos se fecharam, e foi neste instante que eu dei meu primeiro suspiro de vida.
Não estar mais ali foi muito mais cômodo do que viver com as minhas tormentas internas. E não ter mais que me preocupar se feria alguém. Se incomodava alguém. Se amava alguém.
Naquele momento tudo se esvaiu.

Sabe, - "A Série do Desapego" pt. 04

por muitas vezes escrevi sendo apenas metade de mim, esperando ver minha outra parte noutro rosto.
passei noites angustiada procurando as verdades no que tu dizias.
por muitas vezes também lhe disse tudo o que precisei.
mas talvez no momento mais importante, me contentei em omitir a verdade e dizer-lhe apenas o que me convinha.
este texto é objetivo o bastante para que eu possa dizer tudo o que deixei escondido de você.
talvez você saiba onde procurar para saber a verdade. talvez você me entenda, mas acho pouco provável.
de todas as palavras que naquele dia eu te disse, a que você menos esperava era "fim". palavra essa que deslizou dos meus lábios como uma adaga pronta para lhe ferir, mas como uma nuvem onde eu pude finalmente me deitar e deixar em paz.
desde o início, havia um bloqueio muito forte em acreditar que o que você dizia era real.
talvez fosse, mas não parecia para mim. pois era bom demais pra ser verdade.
nas tuas ações eu vi a verdade, muita. mas nas tuas palavras só havia o vazio.
me consumia saber que mesmo sem querer, você me iludia cada vez mais. e me alimentava com falsas expectativas de uma vida inteira juntos.
mas talvez o pior seja que todas as suas palavras fossem reais, e se eu não tivesse medo de acreditar em você, teríamos como fazer todas as expectativas se tornarem reais.
de verdade, a única coisa que sei é, sendo reais ou não, as expectativas acabaram, ao menos para mim.
pensei que seria muito pior acordar todos os dias sem ter alguém com quem me preocupar, mas até que estou me saindo bem.
apesar disso, me sinto um tanto quanto culpada por não ter me deixado ouvir você.
talvez eu pudesse corrigir os últimos dias e continuar esperando por você se decidir, se vinha ou se ficava.
me desculpe, estava difícil demais.
pensar no vazio de cada palavra sua ainda me consome, como se a cada uma proferida, uma parte de mim se despedaçasse.
estou aprendendo a juntar os cacos, mas ainda será muito difícil fazer com que seus discursos saiam da minha memória na mesma rapidez que com que você saiu da minha vida. 

Lispector, Clarice. - "A Série do desapego" pt. 03

Eu confesso que é um pouco difícil escrever desta vez. Talvez até mais do que eu imaginei.
Eu venho passando por uma semana com muitas revelações, um tanto quanto sutis individualmente, mas significativas quando postas lado a lado.

E então a tempestade veio, me atordoando os pensamentos e me tirando os alicerces.
Me tirando do que me era confortável e me trazendo o caos.
Por alguns instantes eu não sabia onde estava, quem era. Eu só queria sair da tempestade, secar a água que escorria pelo rosto.
Me encontrei depois no mesmo lugar, mas ainda estava perdida. Eu sabia que era hora de me deixar ser. De deixar a água lavar e levar tudo o que um dia eu fui. E tudo o que eu pensei em ser um dia. E todos os planos que eu fiz. E todas as expectativas. E toda a volatilidade do meu estar.

Pois bem, mobem. Eu deixei a água lavar e ela está levando. Tirando de mim tudo o que há de você. Aos poucos - e eu espero que bem rapidamente - neutralizando o seu cheiro que ainda insiste em ficar impregnado em mim, tirando o seu gosto que ainda persiste em minha boca.

A bruxa dizia que jamais se esquece a pessoa com quem se dormiu. Eu sei que vou esquecer de muito, e lembrar da maior parte, mas eu não queria que você soubesse que eu já te quis. E trocar o quis pelo quero não consta nos meus planos.

Assim como está dito, esta série se trata mais de mim do que de qualquer outra pessoa. É preciso que eu tire um tempo pra mim, pra me ver, me perceber. Eu necessito saber um pouco mais do meu ser, e pra isso eu tive que te deixar ser levado pela enxurrada. É egoísta a minha atitude, talvez, Mas foi só o que me restou.

Não encare isso como um adeus, pois a chuva que cai é sempre a mesma, mas em lugares diferentes.
Agora é hora da partida, pois só de mim eu quero ser.

Papéis. - "A Série do Desapego" pt. 02

Estive pensando que a cada pseudo amor que eu vivo eu poderia fazer uma série. Mas é uma fadiga muito grande pensar nessa possibilidade. Vou me concentrar apenas no atual. Aliás, ex atual.

Costumo dizer pra mim mesma, que eu somente assumo os inícios, meios e fins da minha vida quando escrevo e descrevo-os aqui. Portanto, comunico mais um fim. Talvez possa ser só um meio. Aliás, todos os fins podem ser apenas os meios de grandes histórias. Em muitos casos isso não acontece, mas não é algo impossível.

Pois bem, como já relatado anteriormente, esta série se trata muito mais de mim do que de um outro alguém especificamente. Na verdade, o desapego em questão se refere muito mais a eu me preocupar menos com certas coisas, e consequentemente, com certas pessoas.
Venho exercitado muito a arte do desapegar. Não é nada fácil admitir que algumas coisas são inúteis nessa vida, mas "depois que a ficha cai", você vê que aquilo era totalmente dispensável.

A ideia da Série do Desapego não é desmerecer e nem subestimar ninguém, mas acontece que estou num momento em que é muito mais importante me conhecer, me suportar, me entender. Segurar o fardo de ter que me agradar e além disso agradar alguém é muito difícil. Às vezes me pergunto se eu conseguirei lidar com estas duas árduas tarefas algum dia.

Esquecendo um pouco dos pensamentos futuros, acho que as coisas acontecem muito naturalmente quando elas realmente têm de acontecer. Assim, não vou esperar ativamente pelo nosso fim, até por que isso pode ser apenas o meio, mas está mais certo pra mim, e assim naturalmente também aconteceu, que eu devo ficar apenas comigo.

Descontrole. - "A Série do Desapego"

Aqui estou novamente.
Iniciando mais um ciclo vicioso na minha jornada.
Decidi que você é importante demais pra não aparecer aqui.

Você agora tem um espaço reservado,
mas não orgulhe-se disso. 

A série do desapego é mais sobre mim, na verdade.
Mas ela não existiria se não fosse por você.

Escrevo em versos e métricas desconexas,
pois é assim que me encontro no momento:
inconstante demais pra conseguir pensar num padrão.

Volúvel também é a minha noção sobre o que é o "nós",
quando se trata de nós.

Não sei distinguir o que é verdadeiro,
o que é o ciúme,
o que é a chacota,
a vontade,
o desejo, o amor.

Não sei qual é o grau de volatilidade do nosso "estar".
E por falar em volátil:
sim, o amor volátil era sobre você.
Viu?! Importante demais...

Acontece que você é uma grande, enorme, colossal
interrogação na minha cabeça.
Eu não sei até onde vai a verdade em tudo o que você diz.
Eu não sei até onde eu devo me entregar por completo.
Eu não sei nem se deveria me entregar por completo.

Eu sou um ser inconstante demais.
Em alguns momentos eu te amo loucamente,
em outros te odeio com todas as minhas forças.
Mas o que mais me aflige, é ficar entre esses dois sentimentos:
na dúvida se posso te amar ou se devo permanecer te odiando.

Eu não sei lidar com o meio-termo entre essas duas coisas.
Ou é, ou não é.
Você faz tudo parecer muito confuso pra mim.

O pior de tudo isso 
é que eu já não sei se é saudável continuar nessa indecisão.
Me consome a certeza de não ter você por completo,
e a insatisfação de não poder me doar totalmente.

Aquela magia toda pra mim já foi embora,
acho que o momento é de pensar se realmente pode ser.
Ou ir.

O que ainda me deixa confortada
é escrever tudo isso no presente.
Eu ainda posso consertar as coisas
(ou fazer com que você conserte).

Posso simplesmente dizer que não quero mais
e passar mais algum tempo corroendo o arrependimento de pensar que poderia ter sido. Ou esperar... esperar... e esperar... até um dia você perceber que eu quis que fosse de verdade, e que só me iludi com as suas incertezas.

Eu ia terminar o texto aqui, 
mas tenho mais algo a dizer:
às vezes eu tenho muita convicção de que sou somente um passatempo na sua vida, uma sala de espera. Mas me vem à cabeça que por motivos óbvios eu faço a mesma coisa com você. Eu não queria que fosse assim, preferiria que você fosse a atração principal, mas no momento você é só o entretenimento.

Plenitude?

Lembrem-se: hoje ainda é domingo, portanto esta é uma postagem totalmente ciente e fiel.

Já é bem tarde e eu deveria estar dormindo, mas estou um tanto quanto inquieta e não vou conseguir dormir sem externalizar o meu agora.

Há alguns dias, estou com uma palavra que não me sai da cabeça: plenitude.
Como um flash, essa tal plenitude me vem e vai nos pensamentos, me consumindo os neurônios pra entender o sentido disso na minha vida.
O meu momento atual eu diria que é incerto, e não pleno. Ainda estou cheia de dúvidas e questionamentos sobre mim e os meus atos. Não me sinto no direito de me dizer plena.
E então por quê essa plenitude não sai de mim?
Tive um sonho há duas noites, bem besta, mas que eu achei muito significativo. Sonhei que tinha feito uma tatuagem, que cobria metade do meu braço direito. O desenho era algumas flores e folhas, com uma borboleta e uma fada. Porém, a tatuagem só estava pintada pela metade.
Na minha concepção, a borboleta é um sinônimo de liberdade, de literalmente sair do casulo e ser.
Mas a fada? Ainda estou buscando respostas para ela. Se fosse um duende eu até entenderia, pois eles são ariscos e gostam de pregar peças. Mas fadas? Fadas são seres mágicos que gostam de mexer com o destino. Seria isso? A fada apareceu para influenciar no meu destino de forma mágica?
Dizem que sonhar com fada é sinônimo de amor e felicidade. Teria isso a ver com a plenitude?

Eu acho um pouco feio se dizer que é pleno, pois se é pleno não precisa ansiar por mais nada. Se o momento atual da minha vida é sentir plenitude, isso é algo que está um pouco fora do meu alcance.
Pra eu ter a plenitude, acho que essa fada deve ir mexer no destino de outro alguém pra que o meu se transforme em pleno. E que se isso for feito, que não me doa.

Já estou cansada do meu destino incerto, só preciso de ao menos um tempo de sossego com a minha cabeça louca que não me deixa em paz. Isso é um desabafo. Já passei por algumas dores e sei o quanto é ruim. Não queria ter que passar por tudo isso novamente, ter que escrever mais textos e textos de desabafo e curar meu coração mais uma vez. Não queria sentir a mesma inquietação que vivi há uns tempos e virar uma pessoa que eu não sou.

O meu destino foi escrito errado por linhas certas, ainda não encontrei o meu escape pra seguir pelas linhas erradas mas na direção correta. Dona Fada, é preciso que a senhora faça seu trabalho direito, pois essa mágica não tá dando muito certo. Obrigada.

Entorpecida.

Acordo inquieta no meio da noite tentando entender de onde vem o cheiro que me agonia.
Não é o cheiro carnal, tampouco o ambiente.
Eu poderia dar mil opções para a causa de tal odor tão apavorante.

Depois de alguns minutos ainda abalada, consigo parar para pensar racionalmente.
Há anos eu havia sentido tal aroma, que me deixara totalmente sem rumo.
Eu não sabia, mas vivia essa sensação mais uma vez.

Passei a lembrar do seu cheiro como uma doce lembrança.
Lembrança essa que me traz paz, aquela que tanto procuro.
É só por você que eu finalmente encontro a paz do sentir.

São pelos teus olhos que eu me vejo refletida, no fundo da sua negra íris.
É pela sua boca que eu sinto o seu desejo, diferente de tudo o que já pude sentir.
É pelo seu perfume que eu sei onde estás.

Parece que o tempo não foi suficiente para apagar de mim as belas memórias que tive.
Memórias daquele dia mágico em que pude finalmente te sentir, mesmo que pouco.
Pude finalmente saber que você existia de verdade, e que não era só uma ilusão.

Desde então, eu pude desfazer todas as minhas expectativas e colocá-las num plano real.
Suprimi os borrões que formavam a tua face e pude sonhar com o seu verdadeiro rosto.
E lhe digo que os meus sonhos são mais belos desde então.

Você é a única pessoa que consegue entender as minhas dores e afagar meu peito.
É com você que eu desenho o meu tortuoso futuro, mas fazendo-o mais doce com sua presença.
É apenas de você que eu necessito para me perder na imensidão do infinito.

Talvez, o dia em que eu te vi se repita tão repentinamente que eu nem te perceba.
Mas o vento vai trazer pra mim o teu cheiro, aquele que me arrepiou há alguns anos.
Eu saberei que você passou por mim. E esteve. E está.



Amor volátil.

O apreço é o bem mais precioso que há. Ter um carinho especial por algo, querendo-o e amando-o tanto quanto a si mesmo é expressar o amor na sua forma mais sublime. Querer o bem de alguém apenas pelo fato desse alguém te fazer bem. Isso é tudo o que eu queria sentir, ao menos uma vez na vida.
Aliás, uma vez na vida eu senti isso, mas foi tão rápido, passou como um furacão e me deixou as marcas e cicatrizes mais profundas. Eu prefiro não me prolongar muito nessa memória para não ter a obrigação de marcar essa postagem n'A Série do Desencanto.

Na verdade, neste dia, o que mais me choca é a constatação da existência do amor volátil. Sim, com meus próprios olhos (e felizmente não com o coração, dessa vez!) eu observei que o amor é volátil, sai do seu momento mais leve, da sua calmaria de mar, e num tornado chega a tocar o céu.
Mas não pense você que o céu é o paraíso. O céu é apenas o fim, na pequenez do oceano do amor volátil. Ao se expandir, virar nuvem e ganhar o seu falho contorno, o amor fica suspenso, no ar, esperando ser resgatado.
Mas o amor volátil não chove, não sublima, não liquefaz. O amor volátil não é. O amor volátil só foi.

Liberdade.

Há uma postagem em branco desde o dia quatro de fevereiro com o título "Liberdade".

Eu sinceramente não me recordo o motivo deste nome, tampouco o que eu iria escrever. Mas eis que eu acho um momento propício para fazê-lo.

Liberdade.

Hoje é o dia em que eu completo exatamente duas décadas. São vinte anos por aqui, mas não muito bem vividos, devo dizer.
Passei todo este tempo tentando descobrir quem eu era, mas eu mal sabia que eu nunca acharia resposta para esta questão. Vivi me adequando ao meio e não sendo parte dele.
Foram vinte anos tentando ser algo que no fundo eu sempre soube que não seria.

Hoje, 13, é o dia da minha liberdade.
Não preciso mais me esconder e fingir as minhas afeições.
Ainda não sei o que procuro, mas descobri que eu não quero descobrir.
Eu só quero viver. Eu só vou viver.
Me lembro que há cinco anos, neste mesmo dia, escrevi um texto que se aproximava muito deste. Ele falava sobre liberdade, mas eu ainda não sabia que era sobre disso que se tratava.
Já conheço muito mais de mim para seguir em frente, sendo.

Sendo eu mesma, vivendo e abusando dos gerúndios, mesmo que eu não goste tanto deles assim,

Agora eu sei do que se trata a liberdade.

Fim.

A paz de não sentir

Este é um dos raros textos que escrevo no mais absoluto silêncio.
Na maior parte das vezes, coloco uma música que talvez possa descrever o meu sentimento no momento, mas para agora eu não consigo pensar em nada que se encaixe no meu estado de espírito.

Acontece, meu caro amigo leitor, que eu simplesmente descobri que sou um misto inesgotável de sensações e situações que não fazem sentido e nem têm razão de ser, apenas acontecem.
Neste momento, não sinto o meu habitual vazio interior, tampouco as minhas angústias (des)amorosas. Infelizmente, também não sinto a paz de não sentir, mas me recobre de esperança saber e conseguir entender que a vida não é feita só para mim, assim como as pessoas também não são.

Devo confessar que a minha possessividade sobre a vida alheia certas vezes ultrapassa os limites aceitáveis, e por mais que eu não transpareça isso, sinto como se um pedaço meu fosse arrancado a cada pessoa que de mim se aproxima e então se vai.
Mas consigo entender que cada um deles não foi feito apenas para mim, mas também para mim. Assim, sigo possuindo todos e ao mesmo tempo sendo dona de nenhum.

É uma relação um tanto quanto paradoxal, de amor e ódio comigo mesma, mas que com o tempo foi amadurecendo e melhorando a minha forma de enxergar do quê relações são feitas.
É claro que ainda tenho muito a aprender, sendo que a maior parte destes aprendizados virão das minhas topadas de cara nas portas do destino, mas vejo que sou um pouco mais racional quanto à tudo, mas ainda bem pouco.

Em alguns momentos, me deixei ser totalmente tomada pela emoção, pude sentir coisas que achei que nunca sentiria, mas de certa forma percebi que não é de todo saudável deixar com que isso vire rotina.
Percebi também que venho escrevendo muito mais sobre mim, sem me esconder atrás do meu alter-ego sofrível, podendo assim conhecer aos poucos a vida e o porquê das coisas acontecerem.

Eu não sou de citar nomes nos textos que faço, acho que é uma certa traição, mas sei exatamente para quem eles são destinados.
É logico que em 90% das vezes eles nunca chegam ao destinatário, mas servem para eu gravar na minha memória todos os motivos e todos os pequenos atos que me fazem bem e mal.
São fatos e histórias que de certa forma fazem de mim o que realmente sou.

Eu acredito cegamente no destino, e tenho certeza de que o meu é uma bela piada.


Imaginários amanhãs

O pior já passou.
Agora o horizonte já está se abrindo e eu posso ver os primeiros raios de sol.
Por mais difícil que tenha sido, foi bom perceber o quão frágil eu ainda posso ser.
Quando as minhas mais internas aflições conseguem ultrapassar a minha própria capacidade de escondê-las, eu percebo que não é mais possível desfazer o que está feito.
E é mais revelador ainda quando há alguém que consegue ver as minhas verdades aparecendo e me dizer que já é o bastante: entregue-se à elas ou deixe que elas se vão.

A vida passa tão naturalmente e tão rápido, que algumas coisas ficam perdidas no ar.
Às vezes me pego pensando na infinidade de coisas e pessoas que perdi apenas por não saber aproveitar as oportunidades e ter tanto medo das consequências.
Eu sei que de um ano pra cá eu melhorei muito, comecei a me abrir mais para dizer SIM ao mundo, mas ainda não é o suficiente.

Eu não faço coisas simples apenas pelo fato de não conseguir lidar com o que isso pode me trazer. Eu tenho medo de dizer sim e não conseguir lidar com os desenrolares das minhas possíveis ações. Eu tenho medo de dizer sim e não saber lidar com a decepção, mas acho que tenho mais medo ainda de não saber o que fazer com a felicidade.

Existem algumas coisas que trazem respostas tão boas e imediatas, mas não sei como lidar com isso. Não sei como reagir às coisas boas que a vida me traz, e isso chega até a ser angustiante. Eu vejo a felicidade, a pego nas mãos, mas não consigo cuidá-la para que ela não definhe. Eu apenas a deixo lá, sendo. Não a cultivo, não a destruo, só olho, indiferente.
Por pequenos instantes eu consigo senti-la a plenos pulmões, fazendo meu coração pulsar mais forte, mais rápido. Mas isso é passageiro. Logo após começo a imaginar no que vem depois. Como será viver com tal felicidade. E fico pensando... Eu penso demais.

Cheguei à conclusão, que já não sei se triste é, de que eu não sei viver. Eu não sei viver o hoje. No meu hoje, existem futuros infuturos, incertos, inconvenientes, mas bons para mim. Eu sei que todos os amanhãs que vêm à minha cabeça não acontecerão por mais que eu faça com que eles aconteçam, porém por algum motivo ainda desconhecido, eu prefiro ficar presa aos imaginários amanhãs do que usufruir do presente.

Talvez haja uma solução muito simples para toda essa minha inquietude de não saber viver. Acho que eu só preciso viver. Viver sem me importar com o que vai vir depois, começar a olhar à minha volta, perceber e relacionar as conexões. Preciso de um olhar mais aguçado, um faro melhor ajustado às minhas próprias necessidades. Eu me preocupo demais com os problemas e as agruras alheias. Preciso saber viver. É preciso saber viver.

Silêncio.

Eu não consigo acreditar que isso está acontecendo de novo. E num intervalo de tempo em que eu mal pude respirar. Eu não posso respirar.

Não posso viver convivendo com uma maneira de ser que talvez seja inapropriada para todos. Não consigo saber o quanto devo ceder, o quanto devo negar, o quanto devo ser legal e convincente. Não sei mais quando devo mentir, por mais que isso seja uma das coisas que eu mais tenha repúdio. Não sei mais se devo falar a verdade,  quando eu sei que esta irá ferir alguém que não tem nada a ver com os meus próprios fantasmas, com meus próprios dilemas.

O certo a fazer seria não deixar que mais ninguém entrasse na minha vida, mas eu preciso da ilusão do sentir novamente, mesmo sabendo que isso não acontecerá. Até a dor da ilusão de ser iludida de novo me remete à você.

É como se o seu fantasma ainda estivesse aqui, me impedindo de ser quem sou, me impedindo de seguir com a minha vida, mesmo ela estando toda errada.
Por que você faz isso? Por que não me deixa simplesmente ir?
Eu não posso ser de mais ninguém a não ser você, mas me deixe pensar que posso.
Por favor, eu lhe imploro que pare, que suma e me deixe ir.
Eu preciso sentir o calor na minha pele novamente, mesmo sabendo que estarei sempre fria sem você.
Eu preciso olhar nos olhos de alguém e ver o que há dentro deles, mesmo sabendo que no fundo dos meus só haverá a sua imagem.

Eu não entendia porquê cada gole não me saciava, porquê cada toque não me dava arrepios, porquê cada beijo não fazia feliz. Agora eu sei por quê. Está tudo muito claro.
Eu pedi muito, mas você não se foi. Continua aqui me atormentando.
O silêncio dessas palavras não diz nada pra você, eu sei. Sei também que você mal se lembra que eu existo. Parece estar seguindo em frente, mas esqueceu seu coração comigo.
Venha buscá-lo.

Cada frase minha tem um sentido. E este foi o meu primeiro texto que teve um título antes de ter um corpo.

Eu não sei quem eu sou.

Isto está sendo escrito de todo o coração. Mais do que de toda outra vez.
É preciso que isso aconteça.
É preciso abrir o mar e deixar que isso passe.

Não há explicação plausível para o que está acontecendo exatamente agora.
Eu estava muito bem, tive um dia extremamente agradável.
De algumas horas pra cá, de um modo inexplicável, as coisas se tornaram um furacão.
Internamente, apenas.

Eis que são duas da manhã, eu estou me sentindo como um nada, uma folha caída no outono, no meio de tantas outras.
Não haveria explicação lógica. Aliás, não há.
Eu só estou escrevendo porque preciso dizer para alguém.

Preciso dizer algo que eu não sei o que é.
Não sei o que se passa dentro de mim.
Há uma mistura angustiante de tantas coisas ao mesmo tempo, que eu não sei identificar nenhuma delas.
As minhas lágrimas sem sentido parecem fazer tanto sentido, mas eu não sei porque.

Não sei porque de uma hora pra outra eu fiquei assim.
Não é transtorno bipolar, ou talvez seria?
Ah, eu preciso mesmo de um psicólogo, droga!
Mas isso não é a solução do meu problema, porque nem ao menos eu sei qual é o meu problema.

Eu espero de verdade que este texto não faço sentido
Eu o escrevo praticamente com os olhos fechados
Aqui só tem o meu coração. Confuso demais para saber o que se passa.

Neste instante eu sou o ser humano menos humano que há
Mal posso lidar com as minhas próprias emoções!
Eu já nem sei o quanto escrevi, e faz pouquíssimo tempo que parei para fazer isso.

Eu parei por alguns instantes e chorei.
Chorei como se nunca tivesse feito isso na vida.
Parecia ter parado, mas assim que comecei a escrever aqui, meu pranto voltou.
Eu não me importo mais com ele.

Meus olhos inchados são reflexo da minha alma
Que nem sabe porque está aqui, porque está assim.
Eu sei que daqui a pouco quando eu apagar a luz para tentar ir dormir, vou cair em lágrimas mais uma vez.
Mas não sei o porquê.
Não sei.

Eu só queria saber porque isso acontece.
E eu já nem me importo mais se o porque é junto ou separado, porque eu já nem sei mais o por quê.
Talvez todos os usos dele aqui estejam errados.
Mas errada também estou.
Ou estou certa.
Já não sei.
Não sei.

















The same old tragedy.

Este é o anúncio oficial para mim mesma de que "A Série do Desencanto" acabou. Definitivamente.

Os motivos que a geraram ainda estão vivos, mas abafados por um afago e uma nuvens de rosas. 
Não há alguém no mundo melhor para dizer que a vida nos dá motivos para sorrir e para chorar.
Não chorei uma vez por você, não que eu me lembre. Pretendo só sorrir.

Isso não quer dizer que eu ainda não tenha palpitações quando penso em ti, e nem que eu não hesitaria em dizer sim se você voltasse. 
Mas o destino é uma roda que está em plena rotação. E eu não posso parar.


Obrigada por tudo. Acabou.

Luzes na escuridão. - "A Série do Desencanto" pt. 05

Quanta falta eu senti de você nos últimos dias.
Quantos pesares eu senti por não te ter aqui.
Por quantas luzes na escuridão eu passei.
Todas tão claras, que deixavam a treva ainda mais negra.

Eu só queria que você soubesse que eu não tenho todo o tempo do mundo.
Por favor. Volte logo.
Ou decida-se pelo adeus.

Não é fácil abrir os olhos todos os dias
E perceber que o que me falta é você.
Por que eu sei o quanto foi bom
E o quanto ainda será.

Ou seria.

Você é o problema que eu escolhi.


Poeira no vento. - "A Série do Desencanto" pt. 04

Você roubou de mim todos os meus desejos, minhas fantasias, meus sonhos.
Só me deixou os restos.
Eu não gosto disso, é angustiante não poder mais sentir.
É isso mesmo: eu tenho medo de sentir. Não achava que isso duraria muito tempo, mas nada mudou e eu continuo sem poder dizer o quanto eu amo os meus mais doces amores.
Consigo olhar nos olhos e sentir o momento, mas logo depois tudo vira poeira no vento, porque tudo o que somos é poeira no vento.
Já cansei desses dias infindáveis de amor decadente. Cansei de acordar todos os dias e só enxergar os borrões me corroendo. A aflição de não ter e não poder é pior do que a própria morte.
Cada momento a mais é o recomeço de um dia agonizante, onde tudo o que eu mais desejo é que este se acabe.
Eu preciso que este dia se acabe.

Incontrolável. - "A Série do Desencanto" pt. 03

Ah, como eu queria que soubesse o quanto eu penso em você.
Eu passo dias habitando o peito desta pobre moça que vos fala, pra de alguma forma me comunicar com você.
Ela não tem nada com isso. Esse assunto é só meu e seu.
Ela é apenas um instrumento, e você, a saída.

Eu queria te dizer, que meio sem querer, eu caí na graça por você.
Queria te falar que o seu jeito "sem jeito" me encantou.
Tudo aconteceu tão rápido, que eu mal tive tempo de dizer o que sentia.

Mas eu sinceramente acho que não precisava.
Os meus olhos brilhavam mais que as estrelas quando te olhavam.
O meu sorriso não cabia mais em mim ao ouvir a sua voz, ao imaginar que a sua imaginação era eu.

Eu precisava tanto que você reconhecesse o quanto me fizeste bem.
Os nossos poucos dias me acenderam como nunca antes.
Eu me senti viva de novo, com o espírito renovado.

Porém, mesmo com tudo isso, eu não fui o suficiente.
Você tinha a sua vida, e eu a minha. Mas estava pronta a abdicar de tudo.
Eu estava pronta para você. Mas não servi.

Querido, eu deixei você partir porque reconheci a minha fraqueza.
Com franqueza, e com um profundo temer eu te falei que não mais queria.
Mas no fundo você sabe que eu quero, e que só fiz isso para te ver feliz.

E por mais difícil que seja aceitar, a verdade é que você seguiu feliz.
E eu só observei você partir, para cada dia mais longe de mim.
Pois que vá, porque um dia Sol e Lua se alinharão. E você voltará. Com a maré.

Padecer. - "A Série do Desencanto" pt. 02

Permaneci ali por tantos dias, com os olhos fixos no horizonte.
A cada dia ele me puxava, queria me dizer alguma coisa. Mas não sabia como.
Sentada fiquei, esperando que alguém me dissesse o que tinha de ser feito.
Íam-se sóis, luas, ventos e tempestades.
E lá eu continuava.

Eu esperava que o horizonte me trouxesse a resposta para um dilema que somente eu seria capaz de resolver.
Eu precisava, de uma vez por todas, acabar com aquele fantasma que me assombrava há tanto tempo, ou então ali ficaria feito pedra, com o pesar dentro de mim para sempre.
Eu juro que uma parte de mim desejava se libertar, mas todo o resto já estava tão habituado à solidão do luar que eu já me sentia em casa.

Era uma casa sóbria, fria, assim como eu já disse que eram seus olhos.
Ali sentada eu parecia uma criança a te admirar, iludida nos meus sonhos de eternidade.
No meu peito não mais tinha um coração, ali só batia o teu.
Eu entreguei minha vida à você, e tudo o que fez foi me deixar ali. Sozinha, olhando o nada.

Sabe, quando amanhecia, e o sol cobria meu rosto, eu não o sentia.
Suas luzes passavam por mim e nem um movimento me causavam.
Eu já não era mais nada, mas continuava ali, no mesmo lugar.
Ficava te esperando, na esperança de talvez você perceber o quanto eu te queria.

O meu querer já beirava o abismo quando me dei conta. Porém, era muito tarde para regressar.
Me bastava, mais uma vez, ficar ali.
Observando o que achava que era você, mas na verdade eu não te via.
Na minha mente doentia eu via o seu sorriso, me corroendo de ponta a ponta.
Eu sentia o frescor do seu hálito, entupindo minha respiração e minhas veias.
Eu não sentia o meu coração, pois você o pegou.

O pegou e levou consigo quando me deixou frente ao nada esperando tudo.
Mas tudo pra mim era só você.
Nunca mais eu te vi. Nunca mais te senti.
Mas eu ainda estou lá.