Luzes na escuridão. - "A Série do Desencanto" pt. 05

Quanta falta eu senti de você nos últimos dias.
Quantos pesares eu senti por não te ter aqui.
Por quantas luzes na escuridão eu passei.
Todas tão claras, que deixavam a treva ainda mais negra.

Eu só queria que você soubesse que eu não tenho todo o tempo do mundo.
Por favor. Volte logo.
Ou decida-se pelo adeus.

Não é fácil abrir os olhos todos os dias
E perceber que o que me falta é você.
Por que eu sei o quanto foi bom
E o quanto ainda será.

Ou seria.

Você é o problema que eu escolhi.


Poeira no vento. - "A Série do Desencanto" pt. 04

Você roubou de mim todos os meus desejos, minhas fantasias, meus sonhos.
Só me deixou os restos.
Eu não gosto disso, é angustiante não poder mais sentir.
É isso mesmo: eu tenho medo de sentir. Não achava que isso duraria muito tempo, mas nada mudou e eu continuo sem poder dizer o quanto eu amo os meus mais doces amores.
Consigo olhar nos olhos e sentir o momento, mas logo depois tudo vira poeira no vento, porque tudo o que somos é poeira no vento.
Já cansei desses dias infindáveis de amor decadente. Cansei de acordar todos os dias e só enxergar os borrões me corroendo. A aflição de não ter e não poder é pior do que a própria morte.
Cada momento a mais é o recomeço de um dia agonizante, onde tudo o que eu mais desejo é que este se acabe.
Eu preciso que este dia se acabe.

Incontrolável. - "A Série do Desencanto" pt. 03

Ah, como eu queria que soubesse o quanto eu penso em você.
Eu passo dias habitando o peito desta pobre moça que vos fala, pra de alguma forma me comunicar com você.
Ela não tem nada com isso. Esse assunto é só meu e seu.
Ela é apenas um instrumento, e você, a saída.

Eu queria te dizer, que meio sem querer, eu caí na graça por você.
Queria te falar que o seu jeito "sem jeito" me encantou.
Tudo aconteceu tão rápido, que eu mal tive tempo de dizer o que sentia.

Mas eu sinceramente acho que não precisava.
Os meus olhos brilhavam mais que as estrelas quando te olhavam.
O meu sorriso não cabia mais em mim ao ouvir a sua voz, ao imaginar que a sua imaginação era eu.

Eu precisava tanto que você reconhecesse o quanto me fizeste bem.
Os nossos poucos dias me acenderam como nunca antes.
Eu me senti viva de novo, com o espírito renovado.

Porém, mesmo com tudo isso, eu não fui o suficiente.
Você tinha a sua vida, e eu a minha. Mas estava pronta a abdicar de tudo.
Eu estava pronta para você. Mas não servi.

Querido, eu deixei você partir porque reconheci a minha fraqueza.
Com franqueza, e com um profundo temer eu te falei que não mais queria.
Mas no fundo você sabe que eu quero, e que só fiz isso para te ver feliz.

E por mais difícil que seja aceitar, a verdade é que você seguiu feliz.
E eu só observei você partir, para cada dia mais longe de mim.
Pois que vá, porque um dia Sol e Lua se alinharão. E você voltará. Com a maré.

Padecer. - "A Série do Desencanto" pt. 02

Permaneci ali por tantos dias, com os olhos fixos no horizonte.
A cada dia ele me puxava, queria me dizer alguma coisa. Mas não sabia como.
Sentada fiquei, esperando que alguém me dissesse o que tinha de ser feito.
Íam-se sóis, luas, ventos e tempestades.
E lá eu continuava.

Eu esperava que o horizonte me trouxesse a resposta para um dilema que somente eu seria capaz de resolver.
Eu precisava, de uma vez por todas, acabar com aquele fantasma que me assombrava há tanto tempo, ou então ali ficaria feito pedra, com o pesar dentro de mim para sempre.
Eu juro que uma parte de mim desejava se libertar, mas todo o resto já estava tão habituado à solidão do luar que eu já me sentia em casa.

Era uma casa sóbria, fria, assim como eu já disse que eram seus olhos.
Ali sentada eu parecia uma criança a te admirar, iludida nos meus sonhos de eternidade.
No meu peito não mais tinha um coração, ali só batia o teu.
Eu entreguei minha vida à você, e tudo o que fez foi me deixar ali. Sozinha, olhando o nada.

Sabe, quando amanhecia, e o sol cobria meu rosto, eu não o sentia.
Suas luzes passavam por mim e nem um movimento me causavam.
Eu já não era mais nada, mas continuava ali, no mesmo lugar.
Ficava te esperando, na esperança de talvez você perceber o quanto eu te queria.

O meu querer já beirava o abismo quando me dei conta. Porém, era muito tarde para regressar.
Me bastava, mais uma vez, ficar ali.
Observando o que achava que era você, mas na verdade eu não te via.
Na minha mente doentia eu via o seu sorriso, me corroendo de ponta a ponta.
Eu sentia o frescor do seu hálito, entupindo minha respiração e minhas veias.
Eu não sentia o meu coração, pois você o pegou.

O pegou e levou consigo quando me deixou frente ao nada esperando tudo.
Mas tudo pra mim era só você.
Nunca mais eu te vi. Nunca mais te senti.
Mas eu ainda estou lá.