Liberdade.

Há uma postagem em branco desde o dia quatro de fevereiro com o título "Liberdade".

Eu sinceramente não me recordo o motivo deste nome, tampouco o que eu iria escrever. Mas eis que eu acho um momento propício para fazê-lo.

Liberdade.

Hoje é o dia em que eu completo exatamente duas décadas. São vinte anos por aqui, mas não muito bem vividos, devo dizer.
Passei todo este tempo tentando descobrir quem eu era, mas eu mal sabia que eu nunca acharia resposta para esta questão. Vivi me adequando ao meio e não sendo parte dele.
Foram vinte anos tentando ser algo que no fundo eu sempre soube que não seria.

Hoje, 13, é o dia da minha liberdade.
Não preciso mais me esconder e fingir as minhas afeições.
Ainda não sei o que procuro, mas descobri que eu não quero descobrir.
Eu só quero viver. Eu só vou viver.
Me lembro que há cinco anos, neste mesmo dia, escrevi um texto que se aproximava muito deste. Ele falava sobre liberdade, mas eu ainda não sabia que era sobre disso que se tratava.
Já conheço muito mais de mim para seguir em frente, sendo.

Sendo eu mesma, vivendo e abusando dos gerúndios, mesmo que eu não goste tanto deles assim,

Agora eu sei do que se trata a liberdade.

Fim.

A paz de não sentir

Este é um dos raros textos que escrevo no mais absoluto silêncio.
Na maior parte das vezes, coloco uma música que talvez possa descrever o meu sentimento no momento, mas para agora eu não consigo pensar em nada que se encaixe no meu estado de espírito.

Acontece, meu caro amigo leitor, que eu simplesmente descobri que sou um misto inesgotável de sensações e situações que não fazem sentido e nem têm razão de ser, apenas acontecem.
Neste momento, não sinto o meu habitual vazio interior, tampouco as minhas angústias (des)amorosas. Infelizmente, também não sinto a paz de não sentir, mas me recobre de esperança saber e conseguir entender que a vida não é feita só para mim, assim como as pessoas também não são.

Devo confessar que a minha possessividade sobre a vida alheia certas vezes ultrapassa os limites aceitáveis, e por mais que eu não transpareça isso, sinto como se um pedaço meu fosse arrancado a cada pessoa que de mim se aproxima e então se vai.
Mas consigo entender que cada um deles não foi feito apenas para mim, mas também para mim. Assim, sigo possuindo todos e ao mesmo tempo sendo dona de nenhum.

É uma relação um tanto quanto paradoxal, de amor e ódio comigo mesma, mas que com o tempo foi amadurecendo e melhorando a minha forma de enxergar do quê relações são feitas.
É claro que ainda tenho muito a aprender, sendo que a maior parte destes aprendizados virão das minhas topadas de cara nas portas do destino, mas vejo que sou um pouco mais racional quanto à tudo, mas ainda bem pouco.

Em alguns momentos, me deixei ser totalmente tomada pela emoção, pude sentir coisas que achei que nunca sentiria, mas de certa forma percebi que não é de todo saudável deixar com que isso vire rotina.
Percebi também que venho escrevendo muito mais sobre mim, sem me esconder atrás do meu alter-ego sofrível, podendo assim conhecer aos poucos a vida e o porquê das coisas acontecerem.

Eu não sou de citar nomes nos textos que faço, acho que é uma certa traição, mas sei exatamente para quem eles são destinados.
É logico que em 90% das vezes eles nunca chegam ao destinatário, mas servem para eu gravar na minha memória todos os motivos e todos os pequenos atos que me fazem bem e mal.
São fatos e histórias que de certa forma fazem de mim o que realmente sou.

Eu acredito cegamente no destino, e tenho certeza de que o meu é uma bela piada.