Descontrole. - "A Série do Desapego"

Aqui estou novamente.
Iniciando mais um ciclo vicioso na minha jornada.
Decidi que você é importante demais pra não aparecer aqui.

Você agora tem um espaço reservado,
mas não orgulhe-se disso. 

A série do desapego é mais sobre mim, na verdade.
Mas ela não existiria se não fosse por você.

Escrevo em versos e métricas desconexas,
pois é assim que me encontro no momento:
inconstante demais pra conseguir pensar num padrão.

Volúvel também é a minha noção sobre o que é o "nós",
quando se trata de nós.

Não sei distinguir o que é verdadeiro,
o que é o ciúme,
o que é a chacota,
a vontade,
o desejo, o amor.

Não sei qual é o grau de volatilidade do nosso "estar".
E por falar em volátil:
sim, o amor volátil era sobre você.
Viu?! Importante demais...

Acontece que você é uma grande, enorme, colossal
interrogação na minha cabeça.
Eu não sei até onde vai a verdade em tudo o que você diz.
Eu não sei até onde eu devo me entregar por completo.
Eu não sei nem se deveria me entregar por completo.

Eu sou um ser inconstante demais.
Em alguns momentos eu te amo loucamente,
em outros te odeio com todas as minhas forças.
Mas o que mais me aflige, é ficar entre esses dois sentimentos:
na dúvida se posso te amar ou se devo permanecer te odiando.

Eu não sei lidar com o meio-termo entre essas duas coisas.
Ou é, ou não é.
Você faz tudo parecer muito confuso pra mim.

O pior de tudo isso 
é que eu já não sei se é saudável continuar nessa indecisão.
Me consome a certeza de não ter você por completo,
e a insatisfação de não poder me doar totalmente.

Aquela magia toda pra mim já foi embora,
acho que o momento é de pensar se realmente pode ser.
Ou ir.

O que ainda me deixa confortada
é escrever tudo isso no presente.
Eu ainda posso consertar as coisas
(ou fazer com que você conserte).

Posso simplesmente dizer que não quero mais
e passar mais algum tempo corroendo o arrependimento de pensar que poderia ter sido. Ou esperar... esperar... e esperar... até um dia você perceber que eu quis que fosse de verdade, e que só me iludi com as suas incertezas.

Eu ia terminar o texto aqui, 
mas tenho mais algo a dizer:
às vezes eu tenho muita convicção de que sou somente um passatempo na sua vida, uma sala de espera. Mas me vem à cabeça que por motivos óbvios eu faço a mesma coisa com você. Eu não queria que fosse assim, preferiria que você fosse a atração principal, mas no momento você é só o entretenimento.

Plenitude?

Lembrem-se: hoje ainda é domingo, portanto esta é uma postagem totalmente ciente e fiel.

Já é bem tarde e eu deveria estar dormindo, mas estou um tanto quanto inquieta e não vou conseguir dormir sem externalizar o meu agora.

Há alguns dias, estou com uma palavra que não me sai da cabeça: plenitude.
Como um flash, essa tal plenitude me vem e vai nos pensamentos, me consumindo os neurônios pra entender o sentido disso na minha vida.
O meu momento atual eu diria que é incerto, e não pleno. Ainda estou cheia de dúvidas e questionamentos sobre mim e os meus atos. Não me sinto no direito de me dizer plena.
E então por quê essa plenitude não sai de mim?
Tive um sonho há duas noites, bem besta, mas que eu achei muito significativo. Sonhei que tinha feito uma tatuagem, que cobria metade do meu braço direito. O desenho era algumas flores e folhas, com uma borboleta e uma fada. Porém, a tatuagem só estava pintada pela metade.
Na minha concepção, a borboleta é um sinônimo de liberdade, de literalmente sair do casulo e ser.
Mas a fada? Ainda estou buscando respostas para ela. Se fosse um duende eu até entenderia, pois eles são ariscos e gostam de pregar peças. Mas fadas? Fadas são seres mágicos que gostam de mexer com o destino. Seria isso? A fada apareceu para influenciar no meu destino de forma mágica?
Dizem que sonhar com fada é sinônimo de amor e felicidade. Teria isso a ver com a plenitude?

Eu acho um pouco feio se dizer que é pleno, pois se é pleno não precisa ansiar por mais nada. Se o momento atual da minha vida é sentir plenitude, isso é algo que está um pouco fora do meu alcance.
Pra eu ter a plenitude, acho que essa fada deve ir mexer no destino de outro alguém pra que o meu se transforme em pleno. E que se isso for feito, que não me doa.

Já estou cansada do meu destino incerto, só preciso de ao menos um tempo de sossego com a minha cabeça louca que não me deixa em paz. Isso é um desabafo. Já passei por algumas dores e sei o quanto é ruim. Não queria ter que passar por tudo isso novamente, ter que escrever mais textos e textos de desabafo e curar meu coração mais uma vez. Não queria sentir a mesma inquietação que vivi há uns tempos e virar uma pessoa que eu não sou.

O meu destino foi escrito errado por linhas certas, ainda não encontrei o meu escape pra seguir pelas linhas erradas mas na direção correta. Dona Fada, é preciso que a senhora faça seu trabalho direito, pois essa mágica não tá dando muito certo. Obrigada.