É só isso

Não importa o seu esforço
Não importa o tamanho do seu convencimento
O seu poder de persuasão não é nada
Não adianta o seu querer
Não adianta o seu se importar.
Nada importa, muito menos você.
Você é um nada no meio do tudo.
Tudo é mais importante do que você.
Não importa a sua opinião
Não importa a sua experiência
Muito menos a sua visão de mundo.
Você deve se contentar em ser invisível
Você não precisa ser notado
Afinal, você é irrelevante.
Não importa as suas companhias
Não importa as suas influências
Você precisa saber que o mundo não sabe de você.
Você não precisa tentar ser notado
Você não precisa brincar de parecer.
Apenas seja.
No final, você está sozinho.
É só você e tudo o que você faz.
E tudo o que você busca
E tudo o que você é.

Fortuna Imperatrix Mundi

Faz parte do fim.
O começo faz parte do fim.
Este é o começo do FIM.

Fortuna Imperatrix Mundi,
é o destino
é a sorte
é a fortuna.

Fim é o infortúnio de viver
é o milagre do permanecer,
a dádiva do perecer
a ventura de sobreviver.

FIM é sobre nós,
sobre mim, sobre você.
É sobre as estações do ano,
sobre as luas, sobre os sóis.

FIM é sobre os deuses,
a magia, os milagres.
É sobre a rotina
e o desaguar do destino.

FIM nada mais é do que a vida,
disposta em pequenos momentos
de alegria e prazer
de bonança e morrer.

"Ó Fortuna, és como a lua, mutável"

O céu

Hoje foi um daqueles dias em que você termina se perguntando se ele vai acontecer novamente.
Eu já deveria estar dormindo mas estou devaneando sobre o que aconteceu.
É sempre tudo tão lindo e tão maravilhoso, mas hoje foi um pouco mais. Hoje mereceu um texto.

Hoje foi a mistura da saudade com os anseios pelo futuro, foi a vontade e o desejo transformados em longos e intensos beijos, foram os sorrisos infinitos deixando minha mandíbula trêmula, os abraços dignos de quebrar uma das minhas costelas (ou todas).

Hoje foi a comprovação do que até então era um indício. Foi sentir o meu corpo cada vez mais pertencente ao seu, foi perceber o quanto nós somos parecidos, foi sentir meu coração palpitar e ser preenchido de paixão, foi ver o quanto eu era incompleta até você aparecer.

Hoje o céu estava tão belo. Eu pude ver a lua, com um brilho tão cintilante assim como ficam os seus olhos ao me ver. Nós aprendemos que a Lua é o satélite natural da Terra. Eu aprendi que eu sou a Terra e você é a Lua. Ou melhor, eu sou a galáxia. E eu nem sei se é possível uma galáxia ser orbitada por satélites, mas com você o impossível passa a ser uma possibilidade.

Açoite

As primaveras,
o sol, o tempo e o vento.

Os outonos,
o frio, o vendaval, o turbilhão.

Os sorrisos, os momentos
o abraço, acalanto.

Os sonhos, pesadelos, utopias,
quimera.

Os choros, o desespero,
a tormenta, pesar.

As angústias, lamentos,
decepção.

A realidade,
sofreguidão.

O corpo, a alma,
mente.

O luto, o estar,
desejo.

Tudo se vai.

O espelho - "A Série do Desapego" pt. 05

Eu vi.
Eu vi revelado em você o meu anseio.
Eu vi novamente o que eu queria ter esquecido.
Eu vi a sua fúria refletida no meu pesar.

Eram somente os teus olhos,
que pareciam me corroer como nunca antes.
Era a sua mente,
delicadamente programada para me destruir.

Eu vi.
Eu vi a sua pena me afagando o peito.
Eu vi o seu sorriso disfarçado no meu espanto.
Eu vi o seu prazer pela minha ruína.

Era tudo o que eu não esperava,
que subitamente você fosse aparecer.
Era tudo o que eu não queria,
que você fosse o que eu sou agora.

Eu não vi nada.



Fate.

Costumo escrever textos cheios de arrependimentos e possibilidades e coisas que talvez teriam acontecido se eu fosse um pouco menos ou me deixasse um pouco mais.
Este é diferente. Ele é carregado de verdades e momentos factíveis, palavras palpáveis e sinceras. Não há a necessidade do estar, apenas do ser.
Não há promessas para não serem cumpridas, não há os sonhos de eternidade. Há amanhãs, longos e breves.
Não existem inundações de tristeza, ficam somente as infiltrações de alegria.
O universo é um pouco mais doce, os dias são menos cruéis, as facas têm gumes menos afiados.
Tudo o que brota daqui de dentro logo vira uma floresta densa, pouco chuvosa mas muito fértil e florida.
Os olhos se fecham para lembrar das palavras que atravessam o peito não para ferir, não para reparar, mas para reconstruir.
Por algum tempo estive perdida, procurando razões em porquês não respondidos, mas logo percebi que não há respostas, não há razões. Há somente nós.
Parei de procurar respostas e findei encontrando a solução, resumida nos teus olhos e nos teus abraços.
Acalento-me nas ondas do destino e me perco no teu mar, revolto para que eu atraque minha embarcação, calmo para que eu não precise de ancoragem.
A maré está me levando para onde eu quero ir, e este lugar é onde você está.
Seja aqui ou lá, só paro onde estiver o seu sorriso e o seu abraço a me esperar.
E por mais que eu odeie, essa rima foi inevitável, assim como é inevitável não te querer.

Meu cais.

Teu cheiro.
Teu cheiro é o que constrói meu cais.
Você é todo o meu alicerce, 
o meu controle.
Você é o que me orienta,
me dá forças para continuar.
Você me dá o que eu deveria encontrar em mim.

Você é parte do meu eu,
do meu ego.
Você é um pedaço do que restou de mim,
a minha fundação.
Você é o meu tudo,
onde posso descansar o meu nada.

Você é toda a minha ilusão
e a minha realidade.
Você é o meu norte 
e a minha perdição.
Você é o farol que me orienta
e a torre que me aprisiona.

Você é o meu conselheiro
e a minha má influência.
Você é o meu passado
e o meu futuro inexistente.
Você é meu barco
e o meu cais.


Um afago e uma nuvem de rosas.

Um afago. O suficiente pra te levar aos céus e planar como se fosse numa nuvem de rosas.
Diziam os sertanejos que há uma nuvem de lágrimas, mas a nuvem é feita d'outra coisa.

Um afago e uma nuvem de rosas estão aqui há muito tempo esperando serem escritos. E finalmente chegou a hora. Eu sinceramente acho que desequilíbrios psicológicos somente existem para nos inspirar. Estar na normalidade não inspira, não faz. Estar normal não quer dizer nada, só te faz existir.
Mas existem horas em que você existe, mas na verdade não quer existir. Ou existe demais e só quer ser menos. Ou existe de menos e quer ser um pouco mais.
É complicado, normalmente estes momentos não condizem com a realidade vivida. 

Há algum tempo eu não apareço por aqui. Na verdade até estive, mas preferi deixar no rascunho todas as minhas ideias. Durante esse tempo, eu quis existir um pouco mais, ser mais percebida. E tudo isso me custou o sossego. Comecei o ano almejando o sossego que tanto me falta, e pela metade dele estou mais à vista do que nunca.
Em certos momentos, a minha grande vontade é desaparecer e fazer com que tudo isso se assossegue. Não desejo mais que isso se acabe, é covarde demais. Mas um pouco de quietude seria bom.
Eu preciso de um tempo comigo (e dessa vez de verdade), só pra repensar na vida e dar um rumo pra mim. Há coisas que consomem tanto as suas energias, que você não mais se doa, você se vende, se obriga. Isso não é bom, faz com que a cada dia você se perca um pouco mais.
Nós não precisamos ser consumidos, nós precisamos acrescentar na vida do outro.
Só falta isso.
Talvez sermos um pouco menos egoístas e vaidosos, e sermos mais compreensivos.

Compreensão é algo que eu raramente recebo. Na verdade acho que eu deveria escrever um texto somente contando todas as vezes em que eu não sou escutada. Eu nunca serei a dona da razão, mas só queria entender por quê todas as pessoas custam em fechar os ouvidos para mim. Será que a minha opinião é tão insignificante assim? Ou será que a verdade dói tanto que é mais fácil mascará-la do que ouvi-lá? Isso acontece em várias situações. Mas quando eu me recolho e apenas finjo gostar, eu sou quieta demais, suspeita demais. Difícil compreender.

Eu sei que está tudo um pouco sem sentido, mas é que eu preciso colocar pra fora o que está aqui há tanto tempo. Nos rascunhos eu deixei algumas coisas falando sobre a minha pálida agonia, alguns pequenos começos de novos episódios d'A Série do Desapego, contos sobre a vida, mas nada que exprima o que eu sinto agora.

Agora eu sinto como se um caminhão de algumas toneladas tivesse passado sobre a minha cabeça, mas fazendo com que um peso enorme saísse das minhas costas. Eu sinto como se um pôr-do-sol tivesse acabado de acontecer, trazendo a escuridão, notívaga e inquietante, mas silenciosa e sob o brilho da lua. E das estrelas, onde cada uma delas é um ponto de esperança. Eu sinto agora uma tristeza por tudo o que se foi, mas uma felicidade radiante na espera pela próxima aurora. A luz não cega e nem me amedronta, eu espero por ela mais do que tudo.

Durante esse tempo de ausência eu percebi em pequenos insights que quando tudo parece estar acabado, é porque é apenas o começo. Eu sei que isso é um clichê apavorante, mas é a realidade das coisas. Naquele dia em que você não acorda bem, em que há brigas e fins, tudo é apenas um recomeço.

Recomeçar é o que eu irei fazer. Sozinha, ainda que essa palavra me afronte, lidando com os meus próprios demônios.

E se você ler isso, o que eu aposto que não irá fazer, quero que entenda que não há o que entender. Nós já fomos. Nós não existimos. "Nós" não há.





Gentilmente cruel.

Mais uma vez eu cometi o erro de querer te querer demais.
Eu tinha a calmaria, o sossego de não ouvir teu nome. Mas renunciei a tudo isso e me deixei levar pelo que talvez eu acho que ainda exista.
Essa minha última frase é recheada de tantos "se", tantas possibilidades, tanto que poderia ter acontecido, e tudo o que você insiste em me dizer que haverá.
Eu te digo: não haverá.
Não haverá nós, só eu, só você sempre longe, sempre tentando mudar os nossos destinos. O que acontece entre nós não é algo explicável.
Eu não sei de onde surge esse desejo louco meu de querer que tudo seja perfeito, do jeito que eu imaginei desde o início.
Começo a pensar que o nosso " nós " na verdade é só você tentando se fazer o centro das atenções.
O problema é que eu também preciso de atenção, preciso de mais do que um bom dia todas as manhãs. Preciso que você se importe e não apenas deixe levar.
Eu não preciso de alguém e não quero alguém que somente conte comigo para compartilhar os fracassos. Eu já tenho os meus próprios deslizes e a vida de ninguém é feita só disso.
Agora eu sei que mais do que nunca cometi o mesmo erro. E eu já nem sei mais por quantas vezes fiz isso por você.
E você não faz absolutamente nada por mim. Somente deixa levar.
O meu cansaço não é o meu corpo pedindo para que você pare. O meu cansaço vem da minha cabeça que pensa demais, do meu peito que sente demais. E você só deixa levar.
Eu queria ser boa o suficiente pra também deixar levar e tirar de mim tudo o que há de você e que me consome há tanto tempo.
Eu só queria ser. Mas ao seu lado a minha cabeça que pensa demais simplesmente para.
Este texto tem um título há muito tempo, mas só consegui achar um corpo para ele agora. Eu achava que eu estava sendo gentilmente cruel te deixando sair da minha vida lentamente. Mas agora vejo que cruel é você, por me deixar esperando por um fim que nunca acaba, por somente deixar levar.