Gentilmente cruel.

Mais uma vez eu cometi o erro de querer te querer demais.
Eu tinha a calmaria, o sossego de não ouvir teu nome. Mas renunciei a tudo isso e me deixei levar pelo que talvez eu acho que ainda exista.
Essa minha última frase é recheada de tantos "se", tantas possibilidades, tanto que poderia ter acontecido, e tudo o que você insiste em me dizer que haverá.
Eu te digo: não haverá.
Não haverá nós, só eu, só você sempre longe, sempre tentando mudar os nossos destinos. O que acontece entre nós não é algo explicável.
Eu não sei de onde surge esse desejo louco meu de querer que tudo seja perfeito, do jeito que eu imaginei desde o início.
Começo a pensar que o nosso " nós " na verdade é só você tentando se fazer o centro das atenções.
O problema é que eu também preciso de atenção, preciso de mais do que um bom dia todas as manhãs. Preciso que você se importe e não apenas deixe levar.
Eu não preciso de alguém e não quero alguém que somente conte comigo para compartilhar os fracassos. Eu já tenho os meus próprios deslizes e a vida de ninguém é feita só disso.
Agora eu sei que mais do que nunca cometi o mesmo erro. E eu já nem sei mais por quantas vezes fiz isso por você.
E você não faz absolutamente nada por mim. Somente deixa levar.
O meu cansaço não é o meu corpo pedindo para que você pare. O meu cansaço vem da minha cabeça que pensa demais, do meu peito que sente demais. E você só deixa levar.
Eu queria ser boa o suficiente pra também deixar levar e tirar de mim tudo o que há de você e que me consome há tanto tempo.
Eu só queria ser. Mas ao seu lado a minha cabeça que pensa demais simplesmente para.
Este texto tem um título há muito tempo, mas só consegui achar um corpo para ele agora. Eu achava que eu estava sendo gentilmente cruel te deixando sair da minha vida lentamente. Mas agora vejo que cruel é você, por me deixar esperando por um fim que nunca acaba, por somente deixar levar.