Abismo

Acabei de me deitar pra dormir mas me bateu uma vontade de escrever, por isso estou aqui. O problema é que só veio a vontade, não tive nenhuma ideia avassaladora sobre o que escrever. Reli todos os meus rascunhos inacabados e encontrei este, chamado abismo.
Hoje nem é domingo mas vou me permitir devanear um pouco. 
Este foi um dia qualquer, daqueles dias em que apenas se vive. Foi um dia em que acordei, fiz meus deveres e fui dormir. Não senti a adrenalina tomando meu corpo, não vi nada de novo acontecer, só fiquei de ouvinte num abismo em que não quero acabar. As vezes que senti meu coração palpitar foi ao sentir que tenho alguém que me espera e que vai segurar meus braços para que eu não despenque penhasco abaixo.
O abismo é vazio, escuro, um nada no meio de lugar nenhum, mas ele causa medo. O abismo traz a angústia, esconde os medos mais cruéis, os sentimentos impiedosos. O abismo esconde a inveja, é implacável com a sua alma. A cada centímetro da queda você não sente dor, você se sente vazio. O abismo abre uma lacuna que é muito difícil de ser preenchida. Ele é cruel.
Há um problema em se conhecer o abismo: você sabe o caminho para chegar até ele novamente. O sofrimento a partir de então é não deixar que ele te consuma novamente e tome conta de cada átomo de você. Você sabe que ele está lá, mas precisa passar todos os seus próximos dias com cautela para não ser sugado novamente.
É meio que um ouroboros da vida esse tal de abismo, como se quanto mais você fugir dele mais fundo você entra. O abismo é como cada um de nós. é a nossa própria vida. Você não pode fugir, só pode viver. Você não pode planejar, mas pode saber como não cair do precipício novamente. Você só pode ser você e nada mais. Você é o seu herói e seu próprio carrasco. O abismo é você, basta decidir despencar nele ou não.

Sobre você.

Este título tem um ponto no final porque é sobre você e nada mais.

Você, que surgiu repentinamente, foi arrancando meus sorrisos, me levando a galáxias inabitadas, me fazendo perder o rumo e me encontrar.. em você.
Você, que sei lá como descobriu a maneira de lapidar o meu coração de pedra e torná-lo o diamante mais brilhante e reluzente que já existiu.
Você, que me ensina tudo o que eu ainda não aprendi, que me ouve como se minha voz fosse seu guia e me faz alguém melhor todos os dias.
Você, que me mata de saudade toda vez que se vai, que preenche meu peito com um desejo e ternura intermináveis. 
Você, que é o meu apoiador maior e dono do meu fã clube desde que me conheceu. 
Você, que é dono dos beijos mais calorosos que já dei, que é dono dos abraços mais reconfortantes desta terra.
Você, que é o fazedor das piadas mais bestas, que tem o humor mais gostoso e a gargalhada mais deliciosa de se ouvir.
Você, que me apresenta todos os céus e paraísos, que tem o toque como se fossem anjos me fazendo cafuné para dormir.
Você, que faz o amor ser tão natural quanto acordar todos os dias e encontrar a felicidade no fundo dos seus olhos.
Você, que tem absoluta certeza que este texto é pra você, e que vai ficar todo bobo quando ler estas linhas.
Você, que eu tenho absoluta certeza de que foi feito pra mim, e que ainda tem todas as manhãs do mundo pra admirar a nossa beleza.
Você, que é o sonho que eu vivo acordada, que é mais do que tudo o que eu sempre quis.
Você, que é perfeito. Você, que é minha luz. 
Você, que sempre será parte de mim.

Nove

Estes são relatos que deveriam ter sido escritos há alguns dias só que a vida não deixou que assim eu fizesse. Mas como nunca é tarde, cá estou eu.

2016 é um ano de soma 9, o que na verdade não significa nada. Foi só pra dar sentido ao título e deixar misterioso.
Neste ano que passou aconteceu de tudo, coisas que eu previa, coisas que eu jamais imaginaria. Estou sentido que vai ser um textão.


Comecei desejando um ano de sossego, já que o meu 2015 havia sido mais do que um desastre. Iniciei me desfazendo de tudo o que me fazia mal: das coisas, das pessoas, da pessoa. Achava que tudo isso era o bastante. Foram alguns meses de sentimentos indecifráveis, sensações estranhas, sonhos sem sentido e um vazio preenchido pela minha estranha calmaria.

Passado o meu inferno astral, onde até mesmo me permiti abandonar um pouco as sessões de terapia através da escrita, veio o aviso: a próxima época seria uma mudança na minha vida. Um pouco desacreditada disso, segui achando que continuaria tudo igual. E assim foi, já que num lapso de inconformismo resolvi resgatar a pessoa que me fazia tanto mal, achando que talvez tudo fosse ser diferente. Não foi.

Já exausta de ser só mais alguém , fui respirar novos ares, sentir novas sensações, relembrar da infância e resgatar o que realmente é importante na vida. Voltei decidida a me livrar de vez do meu tormento, e assim o fiz. Depois, fiquei um mês ensaiando a despedida do que me trouxe tantas descobertas, até que quando estava realmente confirmando a minha saída, me surgia a pessoa mais incrível que eu poderia conhecer. A bonança pós tempestade havia começado e eu pouco me dava conta do quão maravilhosa seria a minha vida a partir daí. Mas, em detalhes, isso é algo que vai ficar pra outra postagem porque é uma história bonita demais pra estar junto com todo o resto.

Há de se lembrar que a vida não é feita só de outras pessoas, ela é feita de mim também. Nesse ano consegui sobreviver a algumas milhares de gripes (mentira, só umas seis), um tornozelo quebrado (a minha primeira e espero que única fratura ortopédica), algumas crises de rinite loucas e umas poucas alergias. Agora estou recuperada e pronta pra enfrentar tudo de novo, mesmo não querendo isso.

Agora vem a parte mais legal de todo esse ano, a parte mais libertadora. Finalmente depois de tanto tempo de tormento, consegui terminar minha graduação com muito louvor e graça divina, tirando das costas o temível TCC, que na verdade não foi tão temido assim, mas que me deixou com um sentimento de que poderia ter sido muito melhor. Mesmo com isso, e tendo um último ano de graduação pior do que eu poderia imaginar, acabou. Vou ficar um tempo sem a preocupação de tirar boas notas ou liderar um grupo de ninguéns.

Um pouco antes do curso terminar, fiquei com aquele sentimento de estar sem rumo, não saber mais o que fazer depois que acabasse a minha rotina. É estranho pensar nisso, porque desde que nascemos a nossa vida está programada até o final da faculdade. Após isso é uma incógnita infinita, nunca há um destino muito certo.

Após quase uma década sem ter nenhuma perda, em 2016 Caronte resolveu levar meu avô pra passear em águas mais calmas que essas, me ensinando que as flores nascem, servem para alegrar alguém e morrem sem dar explicação, só pra renascer num outro jardim e espalhar suas cores em outras vizinhanças. A Rosa, tão frágil, vem só para avisar que a vida está aí e que ela deve ser aproveitada em cada um dos seus instantes, sabendo que o que é verdadeiro nunca morre.

O ano dava quase seu último suspiro quando me pus no carro com a família e fui aproveitar as minhas últimas férias antes do meu próximo ano inteiro de trabalho. E foi a coisa mais gostosa já feita nos últimos tempos. Poder assistir auroras e anoiteceres, sentir a brisa do vento, o calor na minha pele, as ondas do mar... Foi renovador, lindo, maravilhoso.

2016 acabou, eu ainda posso dirigir, perdi uma preocupação e ganhei outras milhares pra equilibrar. Tenho uma família linda, um emprego bom também, amigos fofuchos e um amor lindo pra cuidar. Acho que a roda está no alto dessa vez. Um passarinho me disse que 2017 é o ano da vitória. E que assim seja, cheio de alegrias para comemorar no final.