Preciso desabafar e dessa vez não é sobre mim.
Eu só queria entender o por quê do dinheiro mover a vida das pessoas de tal maneira que nem elas consigam viver. Ficam presas na sua vidinha de merda, indo e voltando de um emprego que nem gostam, fazendo 'o que deve ser feito'. Não se contentam com pouco, por mais que o pouco seja o suficiente. Querem mais, e mais. E no fim acabam tristes, algumas vezes sozinhas, angustiadas por não terem o carro do ano, um lar pra chamar de seu, a bota da moda e o vestido mais caro da loja.
Esse tipo de gente não sabe o que é um abraço apertado, sincero. Veem e exprimem interesse em demonstrações de carinho. Para elas, o afago mais sincero é o aperto de mão, pois é na mão que circula a grana, é a mão que fabrica o tijolo, é a mão fecha os olhos do outro ao dormir o sono profundo. As borboletas deveriam voar para longe, tão longe que não fosse possível enxergá-las. As flores deveriam dar lugar aos malotes. A vida ficaria cinza de prédios e verde de notas. Que bela vida essa, não?!
É desse tipo de gente que procuro me afastar. Não gosto de interesse, acho tudo fútil demais, raso demais. O que seria do mundo sem as rosas, sem as alegrias de se ver o soprar do vento numa tarde de outono com o céu alaranjado de felicidade, pronto para fazer nascer a noite de mais um dia? O que seria de nós sem os valores (estes, morais) que regem o nosso futuro? Hoje em dia nem "bom dia" se dá. O "oi" é o mesmo que "envie os malotes com urgência" ou "espero meu café no escritório". O mundo já perdeu sua essência há séculos, e só agora percebem isso com clareza. Só hoje, no tempo em que matar virou hobby, e a gana é elemento fundamental da educação dos nossos filhos.
Essa gente morreu faz tempo. Não estão vivendo para si, estão vivendo para o mundo. É por isso que os desejos dele nunca devem interferir nos seus.
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E então, o que me diz?