Olá velho mundo. Quem vos escreve sou eu. Eu mesma.
Aquela que esteve aqui quando tudo estava desabando. E talvez ainda esteja.
Vim contar-lhe como é estar aqui, em tal situação.
Vou começar do começo, porque como já é visto: sim, eu gosto do pleonasmo. Ser redundante é insistir no que é certo.
Quando nasci, assim como todo ser que habita este mundo material insólito e intrépido, queria apenas ser. Ser é tudo o que eu necessitava.
Até que cresci um pouco e fui percebendo o real propósito de viver e estar e ser.
Cada um de nós está aqui por um motivo, um motivo muito forte que nos faz acreditar no que acreditamos e fazer o que fazemos. Cada pequena alma que vem para cá a todo instante já nasce com uma missão, que se não cumprida em sua totalidade agora, ficará na pendência para resolver tudo da próxima vez.
Eu acredito em tudo o que eu posso ver e em tudo o que posso sentir, principalmente. Eu sinto que vim parar aqui para fazer algo de muita relevância. Eu sei que não vim mudar o mundo, tampouco achar a solução para os problemas da humanidade, mas eu vejo a cada dia e a cada fase da minha vida que o meu propósito está sendo cumprido.
E de maneira nenhuma isso está relacionado às minhas conquistas materiais, aos meus poderes palpáveis. O que quero dizer é que eu nasci para melhorar a vida de alguém, e pode ser que esse alguém seja até eu mesma.
Mas qual o sentido em nascer para melhorar a si próprio quando há um mundo inteiro penando e sofrendo?
Veja, eu não sei e você também provavelmente não sabe, mas em outras passagens por este lugar, podemos ter feito coisas muito ruins, coisas que julgaríamos como bárbaras e impiedosas.
Pois bem, quando saímos desta passagem fadados a viver com a culpa por ter feito algo que prejudicou alguém, ficamos vagando por muito tempo na imensidão da vida alheia procurando um corpo vazio para habitar. É por esse motivo que tanta gente faz coisas que não deseja fazer. Existem forças das quais nós, simples mortais, não podemos e nem somos capazes de controlar.
Ok, mas onde eu quero chegar com tudo isso?
Eu quero dizer que, por mais ruim que pareça ser a sua vida, por mais fúteis que pareçam ser os seus motivos de estar aqui, por mais ínfimos e pífios que sejam os seus objetivos, metas ou a sua própria missão, você nunca deve desistir. Jamais.
Eu digo isso porque com o passar do tempo estou começando a entender a minha própria missão. As poucas vezes em que eu consegui enxergar a luz e me conectar com a vastidão me mostraram que eu estou aqui por um motivo muito bom e que eu devo continuar espalhando a mensagem por esse mundo.
Posso ser uma só, com meus medos, anseios, fracassos, mas além de tudo, e além de ser humana, eu vivo por tudo isso daqui para alimentar meu espírito. Eu sinto que sou uma parte de alguém que deixou este lugar com pendências a serem resolvidas, e a cada passo meu, posso sentir que estou no caminho certo para resolver cada uma delas da maneira mais justa e igual para todos.
Quando eu for velha, e eu quero ficar velha, poderei deixar este mundo com a quase certeza de que eu cumpri minha missão, já que a certeza absoluta eu só terei se não voltar novamente.
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E então, o que me diz?