Este não é um texto sobre desilusão.
Já cansei de dizer aqui que às vezes eu desejo que tudo isso se acabe. Também já repeti por diversas vezes que eu acho que a gana deixa qualquer um louco. Não sei o que vem me ocorrendo que eu estou cansada de tudo.
Acho que tem um encosto maligno pairando sobre a minha cabeça. Mas o fato é que o tempo vem se mostrando muito cruel e me deixando mais amarga, ou talvez mais preparada para a vida.
Essa amarga vida que nunca se cansa de destruir cada pedaço meu a cada dia, que ri da minha cara a cada tropeço meu, que se invalida quando eu estou bem.
Eu só precisava entender o por quê de tudo isso.
O motivo de eu estar assim, vazia.
Por fora, quem vê pensa que sou um mar de felicidade.
Sou sorridente com quem merece, grata com todos, gentil com a maioria.
Passo o dia cantarolando músicas que só expressam o que eu sinto dentro de mim, mas todos pensam que são apenas músicas, e então eu pareço bem.
Fico observando o vago por longos minutos mas parece que eu estou pensando, e então eu pareço bem.
Sou uma máscara de alguém feliz.
De uns tempos pra cá, comecei a buscar nos outros o que não encontro em mim.
Fracassei.
Parece que quanto mais pessoas eu conheço e quanto mais eu conheço as pessoas, maior é o oco.
Beijei muitas bocas e experimentei muitos abraços, mas todos tão frios que a cada manifestação dessa, um pedaço meu necrosa e se desfaz.
Às vezes fico imaginando o que as pessoas pensam e falam de mim.
De alguns, espero sempre que sejam coisas boas, apesar de saber que a língua do ser humano é o maior mal da humanidade.
De outros, acho que quando viro as costas sou bombardeada com os piores pensamentos e opiniões possíveis.
"Ah, mas você não deve se importar com o que eles pensam", eles dizem.
Falar dessa forma é muito fácil quando não se tem mais ninguém para julgar você.
Cada passo que dou desencadeia em dez julgamentos mais, dez opiniões mais, dez "você deveria ser assim" mais.
Eu não aguento.
Não aguento a cada esquina ser obrigada a escutar estupidez, ódio, intolerância.
Às vezes me vem à cabeça que sou louca, mas daí percebo que loucos somos todos nós.
Somos loucos por dizer uma coisa e fazer o oposto.
Somos loucos por sentir as piores coisas possíveis para com os nossos iguais.
Somos loucos por ter nascido.
Vou parar de viver e voltar a ser como era antes.
Ao menos eu terei ceticismo só comigo, e não com todo o resto do mundo.
Não vou me findar, vou fazer cada um engolir sua própria língua, furar seus próprios olhos, estourar cada um de seus tímpanos, rasgar suas peles, cortar suas mãos.
Quero que eles se acabem em chamas.
Quero ver queimar.
Vou fazer queimar.
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