Eu queria não começar um texto escrevendo "eu queria". Mas é impossível.
O meu eu está muito ativo ultimamente. Tão ativo que estou escrevendo mais uma vez aqui.
Eu queria estar aqui para contar sobre a felicidade, sobre o progresso. Mas não estou. Cá me encontro para desabafar. Sobre tudo.
Eu queria dizer tanta coisa para tanta gente, mas na hora em que tenho a palavra só consigo dizer besteiras. Ser menos impulsiva, menos explosiva é o que eu queria. Eu quero demais, eu quero o impossível.
Eu queria saber ser mais direta. Já tentei por tantas vezes exercitar essa virtude, mas cada tentativa é um fracasso maior. Eu fui feita para moldar, para saber dizer, saber escolher as palavras. Nunca fui de "jogar na cara" o que eu penso e sinto. Quando sinto a necessidade de falar, faço isso pelas entrelinhas.
O problema é que a maior parte das pessoas não sabe ler nas entrelinhas. Têm preguiça de parar para pensar. Eu odeio muito isso. Eu queria ter o poder de recitar um longo poema e fazer com que o receptor entendesse a mensagem. Em vão.
O homem (homem ser humano) moderno não foi feito para escutar, para ouvir, para refletir. Ele foi feito para ferir, para julgar, para dizer.
Eu não gosto do homem moderno. Não gosto da maneira de como as pessoas andam na rua, me sinto cada vez mais afogada com tanta tecnologia para inutilidades. A vida é tão maior que isso, que eu acho que poderíamos saber aproveitar mais dela.
Porém ninguém sabe como fazê-lo. Sempre querem o mais atual, o mais moderno, o que tem mais recursos, sem perceber que estão sendo consumidos pelo consumismo.
O que eu queria nesse exato instante era poder ter o poder de fazer com que as pessoas prestassem um pouco mais de atenção em mim, para o que tento dizer. Porque elas não prestam, ninguém presta.
Sou um ser incompreendido e não julgue isso como vitimização. Sou incompreendida porque ninguém tem tempo de parar e me ouvir, me ver e perceber os meus sinais.
Finjo então que sou como eles, e guardo tudo para mim. Guardo até a hora de poder colocar tudo pra fora, com as palavras certas, minuciosamente medidas. Feitas para que alguém me compreenda.
Comecei este texto com uma ideia tão pequena e ele se transformou nisso tudo. Eu realmente preciso que alguém me escute.
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E então, o que me diz?