Acordo inquieta no meio da noite tentando entender de onde vem o cheiro que me agonia.
Não é o cheiro carnal, tampouco o ambiente.
Eu poderia dar mil opções para a causa de tal odor tão apavorante.
Depois de alguns minutos ainda abalada, consigo parar para pensar racionalmente.
Há anos eu havia sentido tal aroma, que me deixara totalmente sem rumo.
Eu não sabia, mas vivia essa sensação mais uma vez.
Passei a lembrar do seu cheiro como uma doce lembrança.
Lembrança essa que me traz paz, aquela que tanto procuro.
É só por você que eu finalmente encontro a paz do sentir.
São pelos teus olhos que eu me vejo refletida, no fundo da sua negra íris.
É pela sua boca que eu sinto o seu desejo, diferente de tudo o que já pude sentir.
É pelo seu perfume que eu sei onde estás.
Parece que o tempo não foi suficiente para apagar de mim as belas memórias que tive.
Memórias daquele dia mágico em que pude finalmente te sentir, mesmo que pouco.
Pude finalmente saber que você existia de verdade, e que não era só uma ilusão.
Desde então, eu pude desfazer todas as minhas expectativas e colocá-las num plano real.
Suprimi os borrões que formavam a tua face e pude sonhar com o seu verdadeiro rosto.
E lhe digo que os meus sonhos são mais belos desde então.
Você é a única pessoa que consegue entender as minhas dores e afagar meu peito.
É com você que eu desenho o meu tortuoso futuro, mas fazendo-o mais doce com sua presença.
É apenas de você que eu necessito para me perder na imensidão do infinito.
Talvez, o dia em que eu te vi se repita tão repentinamente que eu nem te perceba.
Mas o vento vai trazer pra mim o teu cheiro, aquele que me arrepiou há alguns anos.
Eu saberei que você passou por mim. E esteve. E está.
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E então, o que me diz?