Abismo

Acabei de me deitar pra dormir mas me bateu uma vontade de escrever, por isso estou aqui. O problema é que só veio a vontade, não tive nenhuma ideia avassaladora sobre o que escrever. Reli todos os meus rascunhos inacabados e encontrei este, chamado abismo.
Hoje nem é domingo mas vou me permitir devanear um pouco. 
Este foi um dia qualquer, daqueles dias em que apenas se vive. Foi um dia em que acordei, fiz meus deveres e fui dormir. Não senti a adrenalina tomando meu corpo, não vi nada de novo acontecer, só fiquei de ouvinte num abismo em que não quero acabar. As vezes que senti meu coração palpitar foi ao sentir que tenho alguém que me espera e que vai segurar meus braços para que eu não despenque penhasco abaixo.
O abismo é vazio, escuro, um nada no meio de lugar nenhum, mas ele causa medo. O abismo traz a angústia, esconde os medos mais cruéis, os sentimentos impiedosos. O abismo esconde a inveja, é implacável com a sua alma. A cada centímetro da queda você não sente dor, você se sente vazio. O abismo abre uma lacuna que é muito difícil de ser preenchida. Ele é cruel.
Há um problema em se conhecer o abismo: você sabe o caminho para chegar até ele novamente. O sofrimento a partir de então é não deixar que ele te consuma novamente e tome conta de cada átomo de você. Você sabe que ele está lá, mas precisa passar todos os seus próximos dias com cautela para não ser sugado novamente.
É meio que um ouroboros da vida esse tal de abismo, como se quanto mais você fugir dele mais fundo você entra. O abismo é como cada um de nós. é a nossa própria vida. Você não pode fugir, só pode viver. Você não pode planejar, mas pode saber como não cair do precipício novamente. Você só pode ser você e nada mais. Você é o seu herói e seu próprio carrasco. O abismo é você, basta decidir despencar nele ou não.

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