Simple math

Eu sempre fui o tipo de pessoa que pensa mais em mim do que em qualquer outra coisa. Inclusive é muito difícil eu escrever sobre outro alguém sem me incluir no meio.
Em certos momentos isso me incomoda, me sinto egoísta demais. Em outros, o meu individualismo natural me ajudou a não perder o rumo. Boa parte do que eu descobri foi sozinha, boa parte do que eu vivi foi sozinha. E isso foi muito bom.
Me desenvolvi e virei gente sabendo a conviver com a solidão. Às vezes uma solidão realmente solitária, mas em outras uma solidão necessária e querida.
Cresci, e junto vieram os dilemas de adulto, e estar sozinha para resolvê-los em algumas horas não me parecia muito bom. O conhecimento popular diz que duas cabeças pensam melhor do que uma, e isso foi se tornando muito visível pra mim.
Chega um momento em que tudo é além, lidar com todo o mundo é impossível, carregar todas as responsabilidades nas costas é um fardo pesado demais, e eu comecei a perceber que sozinha eu não conseguiria me virar. E foi muito importante reconhecer isso. O que pra alguns pode parecer fraqueza, pra mim se tornou um grande alívio. Saber que não era feio pedir ajuda, que eu não seria "menor" se me somasse a alguém, baixar um pouco meu orgulho e entender que também é bom contar com alguém.
Foi um exercício muito difícil. Até me acostumar com a ideia de que eu não estava sozinha, tive que pensar em muitas coisas. Mexi em interiores que pareciam só meus e os abri para que pudessem ser conhecidos. Com isso, percebi que dividir a vida com alguém a torna infinitamente mais leve. Os dilemas continuam, os problemas provavelmente só aumentam, mas o amparo vence tudo isso. O afago deixa as dificuldades só sendo difíceis, e não mais sendo monstros.
Desse tempo pra cá, eu continuei com o meu egoísmo, não posso negar. Mas boa parte dele deu lugar à cumplicidade e ao companheirismo. Eu sou muito grata a tudo isso. Obrigada.

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