O jardim à nossa frente já estava feito, bastava cada um de nós florir-lo com um botão de rosa e tudo estaria perfeito. Durante todos os dias o sol sairia para fazer brilhar as suas folhas, à tarde viria a chuva para regar a plantação e a noite nos brindaria com a lua cintilando no fundo das nossas íris marejadas de encantamento e plenitude.
Viver não é assim.
O nosso jardim nunca estará completo. Na florada haverá um botão que não se abrirá nem com o maior dos esforços, haverá uma dama talvez nem tão bela assim que se machucará com o espinho de uma flor murcha. O sol pode estar escondido por entre as nuvens e não emanar seus raios sobre o terreno. A plantação pode secar, a grama não crescer.
Viver é ser como um camaleão e aprender nos percalços que ser o caçador muitas vezes significa ser a presa, que a conquista não vem fácil e que na maior parte das vezes é preciso perder muito pra se ganhar quase nada.
É possível que o prazer da vida venha no sentir-se errado e fora do meio e querer se adequar a ele. Ou talvez do contrário. O conforto de fazer parte pode atrofiar o espírito fazendo com que a busca pela nunca sentida liberdade seja eterna.
Viver é ser constantemente um extremo. É o sempre, o nunca, o nada, o tudo. Não basta ser mediano, é preciso ser o todo ou não ser ninguém. É ser a ponta mais fraca da corda ou o inquisidor.
A vida é só o começo.
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E então, o que me diz?